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SÃO PAULO – Com a fraca demanda verificada no setor de varejo, reflexo da queda do poder aquisitivo das famílias brasileiras e as incertezas quanto ao futuro da economia do país, os lojistas estão investindo cada vez mais para conquistar o cliente no momento da compra, principalmente através de promoções.
No entanto, os especialistas alertam que esse tipo de prática pode acabar resultando num aumento da inadimplência. Isso porque muitos consumidores brasileiros ainda compram por impulso, ou seja, não analisam se conseguirão pagar a mercadoria depois.
Inadimplência afeta geração de caixa das empresas
Desse modo, muitos lojistas se deparam com problemas de caixa no final do mês, devido ao atraso nos pagamentos das faturas. Isso pode ser observado mais nitidamente em setores que dependem de crédito para a venda, como os segmentos automobilísticos e de eletroeletrônico.
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De acordo com o Servloj, a inadimplência está entre 9% e 10% sobre o valor financiado, valor ainda bastante elevado, mas melhor do que o registrado nos anos anteriores, quando a taxa atingia patamares superiores a 13%. O aumento nos preços administrados, dentre eles, gás de cozinha, energia e de telecomunicações, afetou principalmente os consumidores de classe média, que recebem entre dois e sete salários mínimos por mês.
Cenário é desfavorável para lojistas
A combinação de fatores negativos, como a perda do poder aquisitivo, o medo de perder emprego, e as incertezas econômicas, acabou prejudicando bastante as vendas a prazo. O momento é para comprar apenas o necessário. Além desses fatores negativos, os consumidores se depararam com as políticas mais rigorosas para a concessão de crédito.
A Servloj reduziu de nove para seis meses, o prazo médio para os financiamentos do consumidor, em contrapartida, aumentou em 0,5 ponto percentual os juros mensais cobrados nas compras a prazo. A desvalorização cambial também afetou o crediário, pois com a escassez de moeda no mercado, muitos bancos e financeiras decidiram restringir os empréstimos.
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Desse modo, não é de se surpreender que as vendas a prazo tenham recuado cerca de 8% no mês de julho em relação ao mesmo período do ano passado. Em agosto, as vendas devem registrar queda mais acentuada, cerca de 10%. O Servloj espera uma melhora nas vendas somente a partir de novembro, quando muitas empresas devem começar a pagar o 13º salário. Além disto, as comemorações de final de ano também devem impulsionar as vendas no comércio.