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SÃO PAULO – Uma boa notícia para o mercado em geral: além da queda dos juros e do conseqüente aumento no volume de concessões de créditos, a inadimplência da carteira de créditos com recursos livres, ou seja, aqueles concedidos com recursos das próprias instituições e não com recursos direcionados, apresentou ligeira queda em outubro.
Esta, pelo menos, é a constatação do Banco Central, que divulgou na terça-feira a sua Nota da Política Monetária e Operações de Crédito. De acordo com os números do BC, a inadimplência total passou de 8,8% em setembro para 8,5% em outubro, o que representa uma queda de 30 pontos base nesta comparação. Com relação a outubro do ano passado, a inadimplência, contudo, permanece maior, já que naquela ocasião era de apenas 7,9%.
Forte queda na inadimplência do cheque especial
Segmentando-se os dados do BC, podemos notar que houve uma redução da inadimplência tanto no segmento de pessoa física quanto no de pessoa jurídica. Considerando-se o segmento de pessoa física, a inadimplência recuou de 14,6% em setembro para 14,5% em outubro, ou seja, uma queda de 10 pontos base no período. Em outubro do ano passado, a inadimplência dos consumidores era ainda maior, atingindo 14,8%.
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A maior queda da inadimplência dentre pessoas físicas, tendo-se em mente as diversas modalidades de empréstimos concedidos aos consumidores, ficou com o cheque especial. Para se ter uma idéia, enquanto em setembro a inadimplência no cheque especial atingia 9,9%, esta caiu para 9,3% em outubro, configurando, assim, um recuo de 60 pontos base. A maior queda, ainda nesta modalidade, ocorreu nas operações com atraso a 90 dias, cuja inadimplência passou de 7,7% para 7,0% na mesma comparação.
Uma das explicações para este forte recuo pode se encontrada na forte queda das taxas cobradas por esta modalidade de financiamento à pessoa física. Ainda de acordo com os dados do BC, os juros do cheque especial recuaram de 8,01% em setembro para 7,84% em outubro. Com juros menores, os consumidores encontram uma maior “facilidade” para saldar suas dívidas, o que certamente contribui para a queda da inadimplência, conforme verifica-se pelos números do Banco Central.
Maior inadimplência ainda concentra-se nos CDCs
Ainda considerando-se os dados referentes à inadimplência dentre as pessoas físicas, podemos notar que outra forte queda ocorreu nos atrasos das operações de crédito para financiamento de autos. Para se ter uma idéia, enquanto em setembro os atrasos nesta modalidade chegavam a 11,6%, em outubro a inadimplência atingiu 11,3%, ou seja, 30 pontos base a menos no período. Uma outra curiosidade: neste caso, a maior parte dos atrasos é entre 15 e 90 dias.
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Contudo, o grande “vilão” da inadimplência continua sendo o CDC (Crédito Direto ao Consumidor), que inclui, basicamente, operações de crédito para compra de eletro-eletrônicos e linha branca. Apesar do recuo da inadimplência, os CDCs ainda respondem pela maior parcela dos atrasos dentre as pessoas físicas, de forma que a inadimplência na categoria passou de 20,1% em setembro para 19,9% em outubro, segundo os dados do BC.
Dentre empresas, destaque para operações de hot money
Passando para a análise da inadimplência dentre as pessoas jurídicas, notamos que também houve uma confirmação da tendência de queda nos atrasos. Dessa maneira, a inadimplência neste segmento passou de 4,9% em setembro para 4,7% em outubro, o que representa um recuo de 20 pontos base nesta comparação. Com relação a outubro do ano passado, contudo, a inadimplência ainda é alta, visto que naquele mês, os atrasos representavam apenas 4,1%.
Considerando-se as diversas modalidades de financiamentos a empresas, notamos que a maior queda ocorreu dentre as operações de hot money, ou seja, aquelas de curtíssimo prazo. Neste sentido, a queda dos atrasos neste tipo de operação foi de 340 pontos base, passando de 11,7% em setembro para 8,3% em outubro. Destaque para a queda de 360 pontos base registrada nos atrasos com mais de 90 dias.
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Percebe-se, dessa maneira, que o cenário de juros declinantes vem favorecendo não somente o aumento das novas concessões de crédito, como também a queda da inadimplência, à medida que facilita bastante o pagamento em dia das obrigações, tanto de pessoas físicas quanto de pessoas jurídicas. Com as perspectivas de maior queda dos juros e reaquecimento econômico, a inadimplência deve continuar recuando, atingindo níveis cada vez menores.