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Casos de fraudes triplicam no Brasil; empresário deve se precaver

No Brasil, 23% das fraudes estão nas notas frias e 27%, na falsificação de cheques e documentos

SÃO PAULO – Empresas pequenas sempre se deparam com problemas de fraudes. São cheques devolvidos, pagamentos de fatura de cartão de crédito recusados, entre outros. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, nos Estados Unidos, as empresas perdem cerca de US$ 600 bilhões anualmente com fraudes.

Além disso, um terço das companhias americanas é vítima de fraude e um em cada seis bancos reporta lavagem de dinheiro, segundo informações da Agência Sebrae.

No Brasil, fraudes triplicam

Os pequenos negócios cada vez mais se utilizam do cartão de crédito, meio de pagamento cuja operação cresce aproximadamente 25% ao ano. O problema é que as fraudes em cartões de crédito no Brasil quase triplicaram nos últimos quatro anos, em relação ao faturamento das empresas. De 2005 para 2009, o percentual de incidência passou de 0,06% para 0,15%, conforme pesquisa da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento).

Durante o 4º Seminário Internacional – A Crise Mundial e seus Impactos na Fraude, realizado esta semana em São Paulo, o especialista no tema, George Henry Milan, explicou que a fraude possui duas origens: a externa (prestadores de serviço, clientes e fornecedores) e a interna (funcionários).

“Nos Estados Unidos, as fraudes internas giram em torno de US$ 50 bilhões, o que equivale a 1% ou 2% das vendas das empresas americanas. Elas são responsáveis também por 20% das falências”.

Segundo George Henry Milan, ex-delegado e especialista no assunto, a fraude possui duas origens: a externa (prestadores de serviço, clientes e fornecedores) e a interna (funcionários). No Brasil, segundo dados da KPMG, 23% das fraudes estão nas notas frias e 27%, na falsificação de cheques e documentos. “Cada vez mais, a sofisticação dos fraudadores determina investimentos em áreas que não são produtivas. Essa é a tarefa mais difícil: convencer o empresário a se prevenir”.

Nos Estados Unidos, por sua vez, segundo ele, as fraudes internas giram em torno de US$ 50 bilhões, o que equivale a 1% ou 2% das vendas das empresas americanas. Tais problemas são responsáveis também por 20% das falências empresariais.

Crise facilita crime

Eduardo Daghum, da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), acredita que as empresas estão cada vez mais arrojadas e há diferentes procedimentos de prevenção nos pontos-de-venda. Além disso, segundo ele, há grande rotatividade de funcionários e terceirização pouco especializada.

No entanto, Milan disse que a recessão global é uma oportunidade para este tipo de crime. “Em tempos difíceis, há uma redução das defesas e uma ansiedade por resultados, deixando de lado determinadas preocupações”.

Como evitar fraudes

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Para combater as fraudes, os especialistas dizem que é preciso investir em processos inteligentes, a exemplo de filtros na contratação de pessoal e de programas de ética e integridade corporativa.

Na ocasião, Daghum mostrou um vídeo que está no You Tube, no qual um funcionário de uma lanchonete clona os dados do cartão de crédito de um cliente. “Ninguém percebe, mas ele vende estes dados para outros fraudadores. Com a tecnologia da informação, em minutos, este cartão pode ser clonado no Japão”, contou.

Uma forma simples de combater os crimes é por meio da checagem de dados, o que mina os problemas de falsidade ideológica. “Muitas vezes, dados simples e inconsistentes não são checados, por pura falta de processos bem implementados”, afirmou Daghum, que citou como exemplo diferentes CPFs com o mesmo DDD, telefones com dígitos iguais (3333-3333) e números de telefones públicos.

Ele acrescentou ainda que as empresas não se preocupam em ter um modelo estatístico de fraude. Para o especialista, é preciso conhecer o comportamento do “seu” fraudador. “Há empresas que são fraudadas pela mesma pessoa várias vezes, em diferentes pontos-de-venda. Essa falta de comunicação pode custar muito caro aos empresários”.

É interessante ainda investir em processos internos de segurança muito bem estruturados, com políticas de prevenção constantes e atualizadas e com um banco de dados sobre fraudadores, inclusive dos concorrentes.