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Os resultados do BB pelo BB: confira os pontos destacados pela diretoria

Em teleconferência, instituição reiterou aposta na expansão do crédito após aquisições e elogiou performance dos papéis

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SÃO PAULO - Enquanto lá fora as instituições financeiras ainda lutam para neutralizar os efeitos da crise sobre seus balanços, no Brasil, os principais bancos seguem reportando números sólidos. Foi o caso do Banco do Brasil (BBAS3), que no terceiro trimestre deste ano contabilizou um lucro líquido de R$ 1,98 bilhão.

A cifra representa um crescimento de 5,9% frente ao mesmo período do ano passado, embora esteja abaixo dos R$ 2,35 bilhões registrados entre abril e junho deste ano. No entanto, análise de resultados de bancos é sempre mais complexa do que uma simples comparação entre lucros.

A fim de explicar o desempenho de seus muitos indicadores contábeis, o Banco do Brasil realizou nesta sexta-feira (13) uma teleconferência junto a investidores e à mídia, destacando a expansão do crédito, as aquisições recentemente realizadas e lançando mão de algumas de suas projeções para os meses que estão por vir.

Apostando no crédito
O setor financeiro brasileiro como um todo se portou consideravelmente bem durante a crise. Prova disso são os números registrados pelo SFN (Sistema Financeiro Nacional). O volume de crédito no País se viu acrescido em R$ 100 bilhões de 2008 para setembro de 2009, somando R$ 1,3 trilhão e gerando uma relação crédito/PIB (Produto Interno Bruto) de 45,7%.

Não à toa, o Banco do Brasil vem apostando suas fichas no segmento. Do final de 2008 para o terceiro trimestre deste ano, a carteira de crédito do banco passou de R$ 224,8 bilhões para R$ 285,5 bilhões, um crescimento de 27%. Tamanha expansão se viu refletida também no market share: a participação do BB no mercado de crédito brasileiro passou de 16,4% em setembro do ano passado para 20,1% em igual mês deste ano.

A instituição não esconde para ninguém sua estratégia: crescer especialmente no segmento de pessoas físicas. No terceiro trimestre de 2008, 21,5% de sua carteira estava voltada a tal setor; neste ano, a porcentagem foi de 30%. O valor concedido em empréstimos a pessoas físicas quase dobrou nesta base de comparação anual, passando de R$ 43,4 bilhões para R$ 85,7 bilhões.

Inadimplência e Basileia
Um dos pontos destacados na teleconferência foi o de que, muito mais do que apostar no crédito, o banco vem priorizando a qualidade de seu portfólio. "Nossas provisões garantem uma cobertura confortável do risco", afirmou Ivan Souza Monteiro, vice-presidente de Finanças, Mercado de Capitais e Relações com Investidores do BB.

Crédito cuja inadimplência, por sinal, demonstrou melhora do segundo trimestre para o terceiro. "O pior já foi superado", afirmou Ivan. Embora outros indicativos não tenham sido afetados pela crise, uma inadimplência crescente nas carteiras do BB vinha preocupando investidores e analistas nos últimos trimestres.

A diretoria do BB afirmou também que ainda há espaço para expansão da carteira de crédito sem ferir o Acordo de Basileia, que estabelece aos bancos comerciais um mínimo de capital como precaução contra o risco de crédito. O índice de Basileia do BB passou de 13% em setembro para 13,9% em novembro, em função de duas grandes captações financeiras de US$ 2,5 bilhões, somadas.

Como resultado da expansão do crédito, o resultado financeiro do BB vem trilhando uma trajetória estável de crescimento, como destacou sua diretoria. Nos nove primeiros meses de 2008, as receitas financeiras do banco somaram R$ 38,1 bilhões. Em igual período deste ano, a cifra reportada foi de R$ 47,3 bilhões.

Aquisições e despesas
Em um setor tão competitivo como é o setor bancário brasileiro, o Banco do Brasil credita grande parte do desempenho positivo conquistado às aquisições do Banco Nossa Caixa e do Banco Votorantim, "cujos benefícios apenas confirmaram as nossas ótimas expectativas", nas palavras da diretoria.

O banco paulista foi essencial à expansão do BB no segmento de crédito consignado, que em setembro deste ano representou R$ 34 bilhões dos R$ 85,7 bilhões registrados na carteira de crédito da instituição a pessoas físicas. Por sua vez, a aquisição do Votorantim fez com que o portfólio do BB no segmento de financiamento de veículos mais que dobrasse do segundo trimestre deste ano para o terceiro, saltando de R$ 8,2 bilhões para R$ 19,3 bilhões.

Se por um lado, uma postura agressiva de aquisições e parcerias é essencial para que o BB mantenha sua competitividade, por outro, as despesas de pessoal e administrativas vem crescendo. No entanto, a diretoria tranquiliza investidores e afirma que "os gastos estão em linha com o crescimento dos negócios". Dos nove primeiros meses de 2008 para igual período deste ano, as despesas totais somaram R$ 13,72 bilhões, uma alta de 24,4%.

"Não perdemos a disciplina com controle de gastos. Pelo contrário, priorizamos a constante redução de custos, o que pode ser visto nas despesas administrativas, que diminuíram de R$ 2,27 bilhões no segundo trimestre do ano para R$ 2,20 bilhões no terceiro trimestre, a despeito do crescimento da empresa", afirmou a diretoria.

Agronegócio e cartões
Reconhecido no mercado por sua liderança no segmento de agronegócio, uma breve análise sobre tal setor não poderia estar fora da pauta da teleconferência conduzida pelo Banco do Brasil, cuja carteira no ramo cresceu 12,4% do terceiro trimestre do ano passado para este, ao passar de R$ 60,5 bilhões para R$ 68 bilhões.

Outro setor particularmente elogiado pelo BB em sua apresentação foi o de cartões. O faturamento da instituição em tal segmento passou de R$ 46,9 bilhões nos nove primeiros meses de 2008 para R$ 62,9 bilhões no mesmo período deste ano, "um robusto crescimento de 34,2%", nas declarações do banco.

Guidance e ações
"Inflação sob controle, consumo doméstico em expansão: o ambiente no Brasil segue muito bom", afirma Monteiro, indagado sobre suas projeções para o cenário macroeconômico do País nos próximos trimestres. A visão otimista de Monteiro representa a visão otimista do BB, que reafirmou seu guidance para 2009.

O último ponto abordado pela diretoria em sua apresentação é quase que um convite ao investidor. "Nossos resultados impulsionam nossas ações", afirma Monteiro. De fato, os papéis ordinários do banco apresentam uma valorização de 124,6% desde o começo do ano, bem acima das altas reportadas pelas ações do Itaú Unibanco (ITUB4) - 59% - e do Bradesco (BBDC4) - 56%.

 

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