Publicidade
SÃO PAULO – Nos últimos anos, a indústria de cartão de créditos no Brasil registrou forte crescimento, passando cada vez mais a fazer parte do dia a dia dos brasileiros. Apesar da comodidade do chamado dinheiro de plástico, o grande problema dos cartões de crédito está nos juros cobrados, que são de longe os mais altos do mercado.
Juros reais ao mês superam inflação no ano
De acordo com dados da Anefac, os juros médios dos cartões de crédito ficaram em 10,47% ao mês em maio, frente a uma taxa de juros média de 7,84% entre todas as modalidades de crédito ao consumidor.
Para se ter uma idéia da magnitude destes juros, vamos nos remeter ao conceito de juros reais, isto é, os juros cobrados acima da variação da inflação. Tomando como base a taxa máxima de juros cobrada pelas administradoras de cartão de crédito, que está em 12,9% ao mês, o que equivale a 328,89% em um ano.
Por sua vez, a inflação medida pela variação do IGP-M nos últimos doze meses terminados em maio é de 8,88%. Desta forma, os juros reais cobrados pelos cartões de crédito são de 320% ao ano, o que equivale a 12,7% ao mês. Isto significa que os juros reais cobrados nos cartões de crédito em um mês, são cerca de 3.8 pontos percentuais mais altos do que a inflação nos últimos doze meses.
Juros altos aumentam risco de inadimplência
Diante do forte crescimento junto às classes A e B da população, muitas operadoras de cartões de crédito já apostam no aumento da penetração entre os consumidores de menor poder aquisitivo como forma de garantir o crescimento do setor. Estratégia que se justifica pela baixa penetração dos cartões entre a população de menor poder aquisitivo. Enquanto 66% das pessoas com renda acima de R$ 2,5 mil possuem cartão, este percentual cai para 35% entre as pessoas que ganham entre R$ 500 a R$ 999 e para 19% entre os que têm renda de até R$ 499.
Esta estratégia preocupa bastante, uma vez que ao aumentar sua participação exatamente junto à parcela da população de menor poder aquisitivo, o risco de inadimplência é ainda maior. Isto porque o alto nível das taxas cobradas pelas administradoras de cartões de crédito acaba comprometendo a situação financeira dos consumidores, que ao atrasar o pagamento de algumas faturas rapidamente vêm o saldo devedor com a operadora aumentar de tal forma, que em pouco tempo acabam se encontrando em uma situação de inadimplência.
Continua depois da publicidade
Para se ter uma idéia dos diferentes níveis de inadimplência entre os consumidores de acordo com o poder aquisitivo, a Credicard estima que, enquanto 15% das pessoas com renda acima de R$ 2,5 mil parcelam o pagamento da fatura, isto é, usam a opção de financiamento dos cartões, este percentual sobe para 38% no caso de pessoas com renda abaixo de R$ 2,5 mil. Fica claro, portanto, que os consumidores de baixa renda são exatamente aqueles que mais arcam com a pesada carga de juros dos cartões de crédito.
Quando as operadoras cobram juros
Existem várias situações que levam as operadoras de cartão de crédito a cobrar juros dos consumidores: saques em dinheiro, pagamento parcelado, atraso na fatura, crédito rotativo. Abaixo explicamos um pouco mais cada uma destas situações:
- Saque em dinheiro: muita gente não sabe, mas o cartão de crédito permite o saque de dinheiro tanto em agências bancárias como em caixas automáticos. Neste caso os juros são cobrados sobre os dias entre a data do saque e o pagamento da fatura.
- Parcelamento: em alguns casos o consumidor pode efetuar uma compra parcelada no cartão. Apesar de ser possível fazer o parcelamento sem cobrança de juros, em alguns casos ele é cobrado.
- Atraso no pagamento da fatura: caso o consumidor atrase o pagamento da fatura a operadora deve cobrar juros proporcionais ao dia de vencimento da fatura e o do seus efetivo pagamento.
- Crédito rotativo: às vezes o consumidor opta pelo pagamento apenas parcial do valor da fatura, este valor chamado de pagamento mínimo varia entre 5% e 20% do total da fatura. Sobre o saldo não pago, contudo, incidem juros.
Diante dos altos juros cobrados, o consumidor deve ficar muito atento ao seu extrato, controlando todas as cobranças no caso de possíveis cobranças indevidas. Como as administradoras de cartão de crédito não são fiscalizadas pelo Banco Central, não há órgão regulador sobre o setor, de forma que em caso de dúvida o consumidor deve entrar em contato com os órgãos de defesa do consumidor, como o Idec e o Procon, entrando na Justiça se necessário.