Cartão do Bem: saia às compras e ainda ajude a quem está precisando

Administradoras apelam para o lado altruísta de seus clientes, transformando os pontos acumulados nas compras em benefícios para entidades filantrópicas

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SÃO PAULO – Concentrar as compras no cartão de crédito pode ser uma boa tática de conseguir vantagens, descontos, prêmios e milhagens em companhias aéreas. Quem tem um bom poder aquisitivo e gasta uma quantia razoável todos os meses, em pouco tempo consegue juntar pontos e trocá-los por diversos produtos oferecidos pelas administradoras de cartão de crédito. São diárias em hotéis cinco estrelas, jantares em restaurantes badalados ou simplesmente alguns mimos na hora de esperar o seu vôo chegar.

Claro que vários clientes que apresentam esse perfil não estão lá muito interessados em nenhuma dessas vantagens. Têm pouco tempo para pensar na somatória de pontos e não freqüentam os estabelecimentos conveniados com as empresas de cartão. Diante desse novo perfil de clientes, as administradoras resolveram mudar o foco de alguns cartões e apostaram em benefícios que fossem revertidos para instituições caridosas e entidades que protegem o meio-ambiente.

Gastar sem culpa e ajudar quem precisa

Gastar no cartão e ajudar a preservar a Mata Atlântica. Mesmo quem não liga para pontos ou vantagens, saber que está ajudando uma entidade que protege a natureza ao sair para as compras dá um estímulo a mais para concentrar as despesas no cartão. Mas existem vários mecanismos de transferência de benefícios para as instituições, além da doação de pontos revertidos em dinheiro.

Alguns cartões reservam uma porcentagem da anuidade para as entidades beneficiadas, e o cliente sabe exatamente o valor com o qual está contribuindo. No Bradesco é possível ajudar o SOS Mata Atlântica sem gastar um tostão. Basta apenas adquirir o cartão e pagar a quantia equivalente à anuidade, e 30% desse valor são transferidos para a entidade. Em média a taxa cobrada fica em R$ 50.

Note, porém, que ajudar sob essas condições nem sempre é tão vantajoso. Algumas administradoras oferecem cartões bem mais econômicos e às vezes com anuidade zero no primeiro (e inclusive no segundo) ano. Com a isenção de tarifas você pode doar diretamente um valor ainda mais alto para a instituição e ajudar com maior eficiência, sem intermédio de uma administradora de cartões de crédito.

Por outro lado, em alguns cartões os benefícios para as instituições são revertidos quando o cliente vai acumulando pontos durante suas compras. Ao invés de ficar com eles e trocá-los por prêmios e milhagens aéreas, existe a opção de doá-los para entidades filantrópicas sob a forma de dinheiro. Nesse sentido basta dar uma olhada nas alternativas do seu banco e escolher a instituição que combina mais com você. As opções vão desde pequenos lares para crianças carentes até organismos maiores como o Unicef, ligado a ONU.

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Ecologicamente correto

Essa política não foi adotada apenas pelas administradoras de cartão de crédito. Em parceria com elas, os bancos também entraram nessa causa numa tentativa de resgatar a sua imagem perante os consumidores, além de conquistar novos clientes.

E digamos que a imagem dos bancos não é a mais positiva para os milhões de correntistas brasileiros. As entidades financeiras cobram taxas abusivas, juros estratosféricos e nas agências as filas não param de crescer. Para melhorar esse aspecto, alguns bancos estão promovendo campanhas publicitárias para convencer os clientes de que algumas de suas atitudes podem ser política e ecologicamente corretas.

O Bank Boston volta e meia envia para os clientes prospectos informativos sobre as instituições ajudadas pelo banco. Chegou inclusive a pedir a opinião deles sobre a prioridade dos projetos. Eles podiam classificar os mais importantes e a partir de uma votação as entidades mais escolhidas recebiam uma quantia de dinheiro ainda maior.

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Por sua vez, o Banco Real nos últimos dias lançou uma campanha oferecendo crédito com taxas especiais para quem deseja trocar a fonte de combustível do automóvel por gás natural ou instalar em casa um aquecedor movido à energia solar. Você se endivida com o banco, mas está colaborando com o meio-ambiente.