Cartão de crédito substitui empréstimos pessoais

Para consumidor de menor poder aquisitivo o cartão de crédito é muitas vezes a única opção de financiamento; juros são mais baixos que financeiras

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SÃO PAULO – Que os cartões de crédito estão aos poucos tomando espaço anteriormente reservado aos cheques pré-datados, isto não é novidade, e já vem sendo verificado há algum tempo, com o aumento da participação de mercado dos cartões em relação aos cheques. A novidade fica por conta de uma constatação semelhante no que refere aos empréstimos pessoais, como sugere estudo divulgado pela Credicard nesta terça-feira.

Cartões crescem mais que cheques e empréstimos

Com base em dados da própria Credicard, entre setembro do ano passado e maio deste ano o volume de transações com cartão de crédito aumentou 21,5%, frente a um crescimento de 11,9% das operações com crédito pessoal e de apenas 6,1% nos cheques.

Apesar da maior taxa de crescimento das operações com cartão de crédito, o volume de transações com cheque especial ainda é 66% maior do que o de operações com cartão de crédito, ficando em R$ 9,41 bilhões em maio frente a R$ 5,67 bilhões dos cartões.

Esta situação deve se manter nos próximos meses, já que a expectativa é que o faturamento de julho da indústria de cartões fique 13,3% acima do registrado em julho do ano passado e 7,8% acima do registrado neste mês de junho. No acumulado do ano, o faturamento do setor deve crescer 14,6% em relação ao registrado durante o ano de 2001.

Financiamento fácil para baixa renda

Com base em dados relativos ao ano passado pode-se verificar que cerca de 33,4% das transações com cartão de crédito são operações de pagamento parcelado sem juros, semelhantes aos cheques pré-datados. Outras 3,3% das transações envolvem operações de pagamentos parcelados com juros semelhantes aos crediários, mas neste caso a diferença entre os juros cobrados nos crediários (6,62% ao mês) e aqueles cobrados nos cartões (10,47% ao mês) acaba favorecendo o crediário.

Ainda com base nestes dados, cerca de 35% das transações com cartão de crédito usam crédito rotativo, funcionando de forma semelhante a um crédito pessoal. A diferença fica por conta da burocracia envolvida na obtenção do crédito, que no caso dos cartões é pré-aprovado e de fácil uso, mas no caso dos créditos pessoais pode ser mais difícil. Em contrapartida estas vantagens não vêm sem um custo, já que os juros cobrados nos cartões são bem mais altos do que os dos créditos pessoais oferecidos pelos bancos, que estão em cerca de 5,32% ao mês.

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Vale lembrar, entretanto, que para a população de menor poder aquisitivo, que não tem como comprovar renda e que cujo único acesso a crédito é através de financeiras os cartões ainda podem ser a melhor opção. Enquanto os juros das financeiras estão em 11,98% os dos cartões estão em 10,47%.

Segundo a Credicard é exatamente neste segmento que a maior parte das operadoras aposta, uma vez que para os consumidores de menor poder aquisitivo o cartão de crédito é muitas vezes a única opção de financiamento, e explica, em parte o crescimento registrado na opção de pagamento parcelado com juros.

Por último, cerca de 28% das transações referem-se a situações em que os cartões são usados para o pagamento à vista, isto é, o valor da fatura é pago na data de vencimento da fatura. Nestes casos o cartão é usado pela sua praticidade, visto que o consumidor não precisa ter o dinheiro em mãos, assim como permite um melhor planejamento financeiro, pois o consumidor pode colocar o vencimento da fatura para depois do recebimento do salário ou outros rendimentos que venha a ter.