Cartão de crédito pré-pago é lançado no Brasil

Nova modalidade permitirá ao usuário estabelecer uma quantia determinada para compras com o cartão; expectativa é que novidade reduza inadimplência

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SÃO PAULO – Em 1999, quando foi lançado o celular pré-pago, as operadoras pretendiam atingir as camadas sócio-econômicas mais baixas. Incapacitada de possuir um telefone celular pós-pago, a população de baixa renda poderia utilizar o serviço convencional da telefonia móvel com a grande vantagem de poder estipular o quanto gostaria de gastar durante um determinado período.

Além não cobrar tarifas fixas como a assinatura mensal, o celular pré-pago privou seus usuários de eventuais surpresas na hora de abrir a correspondência da operadora com o valor que deveria ser pago.

A nova modalidade de telefonia celular foi um sucesso tão grande que rapidamente não só ultrapassou o número de celulares pós-pagos, como também atingiu outras camadas da população mais favorecidas economicamente. Atualmente, estão habilitados cerca de 19,5 milhões de aparelhos pré-pagos, contra apenas 9,2 milhões de celulares pós-pagos.

Tentando repetir o sucesso ocorrido no setor de telecomunicações, está sendo lançado o cartão de crédito pré-pago, que permite ao usuário estipular uma quantia fixa que poderá gastar num determinado período.

Mesada de plástico

Uma das vantagens dos novos cartões reside na possibilidade de se planejar os gastos com cartão de crédito. Desta forma, a expectativa é que muitos dos portadores de cartões passem a utilizar o novo cartão na mesada dos filhos. Afinal, os pais podem “carregar” o cartão com uma certa quantia, acima da qual seus filhos não poderão gastar.

Com isto, os pais evitam surpresas negativas na hora do recebimento da fatura, já que a falta de educação financeira faz com que alguns adolescentes excedam-se nos gastos mensais, acabando por comprometer o orçamento familiar. Agora, os pais podem estabelecer o quanto seus filhos podem gastar sem correr o risco de ter que arcar com gastos excessivos.

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Planejando os gastos com cartão

Não há como negar que a queda da inflação permitiu que o consumidor tivesse um maior controle dos seus gastos, mas a política de juros altos mantida pelo Governo acaba criando armadilhas para quem não faz as contas direito.

Isto porque os juros continuam excessivamente elevados, especialmente quando o assunto é cartão de crédito, modalidade em que a maioria das administradoras cobra cerca de 10% ao mês em juros, o que equivale a cerca de 213% ao ano! Vale lembrar que em um ano o financiamento de uma TV que custa R$ 500 vai lhe custar mais de R$ 1.500, ou seja, você gasta o suficiente para comprar três aparelhos.

Brasileiro gasta demais no cartão

Em teoria os altos juros dos cartões e baixa renda do brasileiro deveriam ser motivo de sobra para que o consumidor adotasse uma postura mais cautelosa na hora de usar o seu cartão de crédito. Infelizmente não é isso que se observa. Em pesquisa recente da Credicard sobre os hábitos da classe média no uso do cartão, constatou-se que 85% das pessoas financiam suas compras no cartão, com 67% destas pessoas usando o cartão até três vezes por semana!
É bem verdade que ainda estamos longe dos EUA, onde a média de cartões por habitante é de quase dois cartões, no Brasil somente um em cada cinco pessoas possui cartão, mas isto é devido à forte concentração de renda do país. Uma análise desta estatística entre as pessoas de classe média, isto é, que ganham pelo menos R$ 2.500 por mês, indica que a média de cartões é superior à dos EUA, cerca de 3,1 cartões por pessoa. Diante desta situação, a introdução dos cartões pré-pagos pode ser uma boa alternativa para reduzir os altos índices de inadimplência na indústria de cartões do país.