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SÃO PAULO – A possibilidade de pagar as compras feitas com cartão de crédito pelo sistema parcelado sem juros pode acabar em um prazo de quatro ou cinco anos. A previsão foi divulgada na última quinta-feira (21) pela Itaucard, que condicionou o fenômeno a uma decisão conjunta do varejo. Atualmente, mais da metade das aquisições feitas com o plástico são pagas em mais de uma vez.
Comércios que garantem a possibilidade também recebem as parcelas mês a mês. De acordo com Fernando Chacon, diretor de Marketing da empresa, o lojista consegue incrementar suas vendas, por meio de um consumidor que tem seu potencial de consumo alavancado, mantendo o custo operacional. O resultado: lucro maior. “Mas tudo tem um limite”, lembrou o executivo.
Evolução
Veja o comportamento ao longo dos anos:
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| Cartão de crédito | ||
| 1º semestre | Compras parceladas | Compras à vista |
| 2003 | 38,7% | 61,3% |
| 2004 | 43,7% | 56,4% |
| 2005 | 47,3% | 52,7% |
| 2006 | 48,8% | 51,2% |
| 2007 | 50,1% | 49,9% |
Fonte: Cartões Itaú
Chacon lembrou que, à medida que a modalidade tornou-se mais comum, houve um aumento nos preços médios dos produtos. É isso que garante o mesmo preço à vista e à prazo.
“Ojeriza”
“Existe uma ojeriza do brasileiro à palavra juros, e é exatamente isso que dificulta o parcelamento com juros”, afirmou o executivo, adicionando que isso acaba por desestimular a concessão de descontos para pagamento à vista. “Se o lojista assumir que o produto tem encargos, é a mesma coisa que cometer um crime”, comparou.
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Dessa forma, uma saída seria uma mudança geral na comunicação com o consumidor: o preço é um. Mas quem pagar de uma vez, leva desconto.
“Há uma tendência de mudança, claro que há, mas depende da adesão de todos os comércios. Se não daqui a dez anos a situação estará a mesma”, finalizou. Na avaliação da Itaucard, a proporção de compras pagas em várias vezes no uso geral do plástico não deve crescer muito mais nos próximos anos.