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A estratégia da Fiat Chrysler para driblar crise e divulgar o melhor resultado de sua história

O Brasil teve grande participação, com um crescimento de 14%, enquanto o mercado apresentou expansão de 13,8%    

compass limited
(divulgação)

SÃO PAULO - O Grupo FCA (Fiat Chrysler Automobiles), dono de marcas como Fiat e Jeep, dirige na contramão: em um momento em que concorrentes pensam até em deixar o país, a empresa apresentou o melhor resultado anual da sua história comercializando 4,84 milhões de veículos no mundo todo no ano passado, cerca de 102 mil a mais que em 2017. O Brasil teve grande participação, com um crescimento de 14%, enquanto o mercado apresentou expansão de 13,8%.

Em coletiva na manhã desta sexta-feira (8), o presidente do grupo, o italiano Antonio Filosa, destacou o papel da América Latina para o desempenho geral do negócio. A região como um todo cresceu 10% e alcançou Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de 259 milhões de euros no ano de 2018, o que representa um aumento de 138% em relação a 2017.

Ainda, a FCA prevê um crescimento potencial do mercado automobilístico entre 8% e 11% para 2019, alavancado principalmente pelo consumo das famílias, expansão dos pequenos negócios e crescimento geral da economia, que impulsiona as grandes empresas e frotistas, segundo Filosa.

“Estamos muito otimistas com o empenho que o governo vem demonstrando para realizar as reformas estruturais tão necessárias ao país e conduzir a economia em uma rota de crescimento sólido e responsável. A reforma da previdência e a reforma tributária são essenciais no novo ciclo de desenvolvimento econômico”, diz.  

A estratégia é entender o foco

A estratégia da FCA para ter apresentado resultados tão bons em um ano bastante desafiador para a indústria foi se posicionar nos segmentos certos, alavancar seus produtos e torná-los relevantes para trazerem resultados mesmo quando o cenário econômico não é bom. 

“Nós investimos na Jeep. Os dois SUVs mais vendidos do país são nossos. A chegada da marca ao mercado brasileiro se mostra cada vez mais acertada”, afirma. O grupo encerrou 2018 com uma participação de mercado de 17,5%, atrás apenas da líder Chevrolet, que teve 19,64%. 

Raphael Galante, economista que trabalha no setor automotivo há 14 anos, comenta que Jeep foi o que impulsionou o resultado para cima. “A Fiat cresceu 11,8%,  enquanto a Jeep 21,3% no ano passado. O Compass foi o SUV mais vendido em 2018 e a fabricante trabalha com ticket médio bem mais alto que a Fiat, o que melhorou a rentabilidade da empresa”, explica.

Outro destaque do crescimento da empresa foram as picapes. A Toro e a Strada são as duas primeiras colocadas do segmento. “O ano foi muito bom para as picapes. É um segmento cíclico e cresce com a economia - principalmente com porque está muito relacionado com a agropecuária - que no Brasil é referência”, disse Filosa.

Os utilitários também são um segmento importante dentro da estratégia do grupo para continuar crescendo no país. “O Fiorino é o mais vendido no país e a Ducato tem um grande potencial de crescimento para este ano”, disse o executivo italiano.  

Otimismo com o governo

Filosa não escondeu sua expectativa positiva para com o presidente Jair Bolsonaro e sua equipe econômica liderada por Paulo Guedes. Entre as medidas que o grupo espera do atual governo, além das reformas da previdência e tributária, estão investimentos em infraestrutura, o que inclui privatizações, e incentivar cada vez mais a competitividade no setor. 

“Eu acredito que o caminho [para algumas dessas medidas se concretizarem] já está desenhado de forma consistente e faz crescer o otimismo do acionista. Falando em competitividade, quero dizer: oferecer melhores condições fiscais para o país. Imagina que o Brasil trabalha com as mesmas tecnologias, mão-de-obra e produção para fabricar carros que a Europa, mas o produto final aqui é muito mais caro - os custos são maiores, porque temos mais impostos e aí a logística é mais cara, o material também e assim por diante”, explica.

Muito confiante o presidente do grupo chegou a afirmar: “nunca vamos sair do Brasil”, quando foi questionado sobre as concorrentes que expressaram a possibilidade.

No entanto, Galante não acha que funcione exatamente assim. “Quando a conta chegar para a FCA, pode ter certeza que ela vai ser a primeira a ir embora”, pondera. O economista lembra que a empresa está envolvida em uma série de processos judiciais que podem vir a se tornar prejuízo em um futuro próximo.

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'Hermanos' argentinos estão na pior

Apesar de muito satisfeito com os resultados de 2018, o presidente sabe que ainda há muitos desafios regionais. E a maior preocupação é com o mercado argentino, que perdeu 50% de volume em janeiro deste ano, na comparação anual. É sinal amarelo para o país e a desaceleração por lá pode significar uma queda na exportação do Brasil.

O presidente enxerga uma pequena melhora no mercado argentino apenas a partir de julho ou agosto. Em setembro do ano passado, o FMI (Fundo Monetário Internacional) ampliou o acordo com o país e liberou para US$ 57,1 bilhões para que o país enfrente a crise. A Argentina está sendo observada de perto pelo grupo e o presidente afirma que será o maior desafio para 2019. 

Lançamentos

A empresa anunciou recentemente investimentos de R$ 14 bilhões até 2023, sendo a maior parte da quantia focada no Brasil. A partir das plantas industriais de Minas Gerais (Betim) e Pernambuco (Goiana), a empresa planeja realizar 25 ações até 2023, incluindo lançamentos, renovação de produtos em linha, séries e versões especiais.

Entre os lançamentos, está previsto ainda para este ano, entre terceiro e quarto trimestre, a chegada de picape RAM 1500 ainda sem preço definido, que será importada dos EUA. Um SUV da Fiat produzido em território nacional deve chegar em 2021. 

Filosa defende, ainda, investimentos nas fábricas do país para não depender exclusivamente do mercado nacional. “As fábricas devem ser multinacionais porque os mercados no mundo todo são cíclicos é essencial fazer a exportação”, diz.

 

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