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SÃO PAULO – Dentre as medidas sendo discutidas pelos representantes do setor automobilístico e do governo na negociação do pacote emergencial para o setor está a oferta de crédito facilitado para compra de carros populares.
O interesse pelos chamados carros populares, como motor 1.0, se justifica pelo fato de que o segmento domina o mercado nacional e representa cerca de 32% da frota nacional. É importante lembrar que em 1995, a participação destes modelos era de apenas 8,6% da frota nacional de veículos.
Redução do compulsório ainda não é consenso
Através da oferta de crédito facilitado com prestações de, no máximo, R$ 300 e prazo maior, de 48 meses, o governo acredita que consiga ajudar o setor a desencalhar cerca de 100 mil veículos populares atualmente encalhados nos pátios das montadoras.
Contudo, os bancos parecem relutantes em oferecer estas linhas sem uma redução do percentual de depósitos compulsórios, que segundo eles são um dos grandes responsáveis pelas altas taxas de juros do mercado nacional.
Estudo recente do FMI estimou que os depósitos bancários seriam o segundo fator de maior peso na formação do spread bancário, respondendo por 26% do total, atrás apenas da margem dos próprios bancos que responde por 40% do total.
Segundo representantes das montadoras a redução do percentual de depósito compulsório, atualmente em 60% dos depósitos à vista, seria a forma mais fácil de reduzir os custos destas linhas sem afetar a arrecadação da União. Mas, ao que tudo indica, ainda não existe consenso por parte do Banco Central, Tesouro e ministério da Fazenda sobre o assunto, o que
estaria adiando a divulgação do pacote.
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Juros mais baixos e prazo maior
De acordo com algumas das informações já publicadas sobre o pacote emergencial, as novas linhas seriam limitadas aos financiamentos de carros populares com valor de até R$ 17 mil, desde que os interessados efetuem pagamento de uma entrada de pelo menos 30%.
Assumindo que o valor financiado seja de R$ 11.900,00, ou 70% do valor máximo permitido para o carro, e que sejam efetuadas 48 prestações de R$ 300 isto implicaria em uma taxa de juros efetiva de 0,806% ao mês.
Se levarmos em consideração que o último relatório de política monetária do Banco Central, publicado mês passado, dava conta de uma taxa média para os financiamentos de veículos de 3,28% ao mês, fica evidente a atratividade das novas linhas. Além disto, o prazo oferecido, de 48 meses, é bem maior do que o atualmente oferecido nos financiamentos de automóveis,
que variam de 24 a 36 meses.
Programa intermediário
Depois das críticas do presidente Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Ricardo Carvalho, de que o pacote emergencial não deve garantir o crescimento sustentado do setor no longo prazo, representantes do governo ressaltam que esta não é a intenção do pacote.
Segundo o governo o pacote emergencial teria como objetivo a manutenção da atividade do setor automotivo enquanto o programa de reativação do setor, que está sendo discutido nas câmaras setoriais, estiver em discussão.
Além da oferta de linhas de financiamento a juros subsidiados e prazo mais longo o pacote também prevê uma redução da carga tributária, através da diminuição das alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), do ICMS (Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviço) e do IPVA (Imposto de Propriedade de Veículos Automotores).