Carnaval: foliões vendem de bebidas a acessórios na festa; veja dicas de renda extra

Especialistas orientam como guardar estoque de produtos e divulgar negócio temporário nas redes

Agência O Globo

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

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Com operação enxuta, estratégia definida e planejamento, muitas pessoas aproveitam para fazer uma renda extra durante o carnaval, com negócios ainda que temporários. Para Roberto Kanter, economista e professor de MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV), o diferencial está em ter organização nas vendas, com atenção à logística.

— Vale investir em venda de alimentos com cardápio curto e QR Code de Pix impresso, maquiagem express, aluguel de acessórios e serviços rápidos. O grande diferencial é o uso de micropulmões de estoque perto dos blocos, que podem ser uma garagem, um apartamento alugado ou um carro parado estrategicamente. Isso permite repor produto em minutos.

Entre os serviços que cresceram nos últimos carnavais e devem se consolidar em 2026, o professor destaca os espaços de apoio para foliões:

— Há hostels, albergues e casas particulares que abrem por algumas horas para uso de banheiro, água, descanso e internet. São espaços com armários de fechadura digital, onde a pessoa guarda documentos e deixa o celular carregando.

Outro investimento considerado certeiro é a venda de bebidas. Um exemplo é o professor de Geografia Ulysses Soares, de 38 anos, que encontrou na venda de cachaças artesanais saborizadas uma fonte importante de renda extra durante a folia. Ele produz seis sabores, como cajá com hibisco e jabuticaba com pimenta-rosa.

— Comecei a fazer em 2019 para beber com amigos e, em 2022, passei a vender. O que pesou na decisão foram os fatos de ter um produto bom e fazer um extra que hoje me ajuda muito — conta.

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Segundo Ulysses, o investimento gira entre R$ 1.500 e R$ 2 mil por ano, enquanto o faturamento varia entre R$ 8 mil e R$ 10 mil. A rotina, no entanto, é exaustiva.

— Tem o sol escaldante, o cansaço físico e vários dias consecutivos de trabalho. Mas a estratégia é chegar cedo, com estoque pronto e produto bem gelado — afirma.

A pedido do EXTRA, o coordenador de Mercado do Sebrae Rio Glauco Nunes reuniu orientações para quem deseja empreender durante o carnaval. Veja abaixo.

Dicas para quem vai buscar renda extra

Comece pequeno e venda rápido

Carnaval é um negócio de poucos dias. Por isso, evite fazer estoque grande. Sempre que possível, trabalhe com pré-venda, kits prontos e fornecedores rápidos. Compre pouco, venda, e só então reponha. Isso reduz o risco de prejuízo.

Ideias de negócios

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Venda por encomenda, kits de folião, maquiagem com glitter sustentável, trancinhas, entrega de bebidas, aluguel de cooler ou power bank são algumas das atividades diferentes e criativas que podem render um extra nesse período.

Use sua própria rede para divulgar

O melhor canal de vendas é o que você já tem: Instagram, WhatsApp, grupos de bairro, condomínio, igreja, escola e blocos. As pessoas compram de quem conhecem. Criar perfil novo só vale se a ideia for continuar depois do carnaval.

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Use uma fórmula simples para precificar

Some todos os seus custos (produto, transporte, embalagem, taxas) e acrescente o lucro que você quer ter. Se o produto for muito concorrido, pode baixar um pouco. Se for exclusivo ou urgente, pode cobrar mais.

Separe o dinheiro e feche as contas no fim

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Use uma conta ou carteira digital só para o carnaval. Assim você sabe se ganhou ou perdeu. Depois da folia, faça um fechamento: quanto entrou, quanto saiu, o que sobrou e quem comprou. Isso pode virar a base de um negócio de verdade no futuro.

Quem empreende no carnaval

“Vendo acessórios de carnaval, como xuxinhas de cabelo, brincos, tiaras e, principalmente, ombreiras, que são as que eu mais gosto de fazer, por causa daquela sensação de balançar quando a gente anda. Produzo tudo em casa, geralmente de madrugada, e compro os materiais com antecedência para já me preparar. Com cerca de R$ 300 de investimento, consigo faturar entre R$ 2 mil e R$ 2.500, dependendo das peças. Vendo pelas redes sociais: quando posto um vídeo, quem se interessa chama no direct. Esse dinheiro do carnaval eu uso para complementar a renda e pagar exames médicos no início do ano”, conta a cabeleireira Luciana Canuto, de 36 anos.

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