Calote preocupa bancos, financeiras e varejistas

Com o aumento da inadimplência, a liberação de crédito - um dos principais fatores para o crescimento da economia - não deve aumentar

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SÃO PAULO – O calote dos consumidores preocupa bancos, financeiras e varejistas. Segundo pesquisa da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) em parceria com o Banco Panamericano, o índice de inadimplência está em 14,5%.

Com isso, conforme especialistas, se torna mais difícil ainda ampliar o percentual de financiamentos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), que hoje fica na casa dos 30% e é um dos principais fatores para o crescimento da economia. Ao mesmo tempo, dificulta-se o controle da evolução dos devedores na base de cobrança.

Ferramenta

O levantamento mostrou ainda que o cartão de crédito é utilizado por 55% dos inadimplentes como “ferramenta” para obtenção de financiamentos.

Isso porque, conforme publicou o Diário do Comércio, segundo Adalberto Savioli, diretor de Crédito e Risco do Panamericano, esse meio de pagamento não passa por consultas quando um parcelamento é fechado, com exceção do limite de compras.

Correlação e condições

Outro dado apresentado foi a correlação de instituições credoras de um mesmo devedor: 37% dos inadimplentes possuem pendências com financeiras e bancos, e 27% com financeiras e administradoras de cartão de crédito.

Realizado sobre a base de devedores das associadas à Acrefi – cerca de 60 empresas do setor de crédito -, o levantamento indicou ainda que 79% dos inadimplentes estão dispostos a regularizar sua situação com a condição de que seja oferecido um desconto ou reparcelamento da dívida.

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Motivos

Celso Amâncio, presidente do Banco Carrefour, acredita que a morosidade nas decisões judiciais incentiva a inadimplência. “A pessoa sabe que depois de cinco anos será excluída do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Até lá, ela passa a utilizar o nome de familiares para obter financiamentos ou utiliza o cartão de crédito”.

Solimeo cita o caso dos cheques sem fundos como exemplo. “Entre a primeira e a segunda devolução, o prazo para inclusão no cadastro de cheques sem fundos é de duas semanas. Nesse período, o devedor continua emitindo cheques na praça”.