Caixa reduz concessão de financiamento para imóveis usados

Somente famílias com renda até R$ 2 mil podem financiar usados; percentual do valor financiado caiu de 80% para 50%

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SÃO PAULO – Diante dos inúmeros lançamentos imobiliários que existem na cidade pode parecer impossível que alguém se interesse pela compra de um imóvel usado. É bem verdade que assim como um carro a maioria das pessoas prefere, quando possível, comprar um imóvel novinho.

Ao contrário do que acontece quando você compra um carro, nem sempre os imóveis novos são melhores do que os antigos, pois o aumento do custo de construção e do metro quadrado acabou inflacionando demais o preço dos imóveis novos, que além de tudo pecam por gozarem de espaços mais restritos.

Caixa descontinuou linhas do FAT para usados

Exatamente por isto muitas pessoas procuram nos imóveis antigos uma forma de realizar o sonho da casa própria. O grande problema é que se você não conta com recursos suficientes para comprar seu imóvel poderá enfrentar muita dificuldade para obter financiamento para este tipo de propriedade.

Isto porque a Caixa Econômica Federal, maior instituição do país no que se refere à concessão de financiamento imobiliário, reduziu drasticamente o volume de concessão para imóveis deste tipo.

Das seis linhas de financiamento disponíveis para compra da casa própria pela Caixa, apenas uma, a Carta de Crédito FGTS, ainda permite que os recursos sejam usados para compra de imóvel usado. As demais se destinam a imóveis na planta ou em construção, para compra de material de construção ou para a construção do próprio imóvel.

Financiar usado só se renda for abaixo de R$ 2 mil

Depois de suspender, em junho deste ano, o financiamento de imóveis usados para famílias com renda acima de R$ 2 mil, a instituição reduziu temporariamente o percentual de financiamento do imóvel para as famílias de renda até R$ 2 mil.

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No momento as famílias com renda acima de R$ 2 mil só podem usar os recursos do FGTS para financiamento de imóveis na planta ou em construção. Neste caso só é possível financiar até R$ 55 mil ou 86% do valor venal máximo permitido para o imóvel, que é de R$ 64 mil. É importante lembrar que mesmo assim a renda familiar deve ser inferior a R$ 4,5 mil mensais.

Já as famílias com renda abaixo de R$ 2 mil podem usar os recursos do FGTS para financiar tanto imóveis usados quanto imóveis na planta ou em construção. No caso dos imóveis usados o valor máximo do financiamento está limitado, desde setembro, a R$ 31 mil, ou 50% do valor venal máximo permitido que é de R$ 62 mil. Por sua vez, no caso de imóveis novos, ou em construção, estas mesmas famílias podem financiar até R$ 64 mil, ou 80% do valor venal máximo permitido de R$ 80 mil.

Juros variam com a renda familiar

Outra novidade das linhas oferecidas pela Caixa para financiamento com recursos do FGTS é a diferenciação das taxas de juros cobradas nos financiamentos dependendo da renda familiar. No caso de famílias com renda de até R$ 1 ml os juros cobrados são de apenas 6% ao ano. Já as famílias com renda entre R$ 1.001 e R$ 3.250 arcam com juros mais altos de 8,16% ao ano. Finalmente, as famílias com renda acima de R$ 3.250, mas abaixo de R$ 4,5 mil, devem pagar 10,16% ao ano em juros neste tipo de financiamento.

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Por sua vez, no caso dos financiamentos de imóveis novos ou em construção em que o valor financiado superar R$ 55 mil ou o valor venal superar R$ 62 mil os juros serão de 10,16% ao mês, independente da renda familiar.

Prazo de até 20 anos

Em todos os casos o prazo de financiamento é de até 239 meses, ou 20 anos, e as prestações são corrigidas a cada 12 meses, período que pode ser reduzido para cada trimestre depois do terceiro ano do financiamento, enquanto o saldo devedor é corrigido com base na remuneração aplicada nas contas do FGTS.

O sistema de amortização usado nos financiamentos pode ser SACRE (Sistema de Amortização Crescente) ou tabela price, sendo que no caso de se usar o SACRE a prestação inicial pode ser equivalente até 30% da renda familiar, percentual que cai para 25% no caso da tabela price. A diferença no percentual de comprometimento da renda se explica devido ao fato de que no SACRE as prestações caem com o passar do tempo já que a amortização do saldo devedor é feita de forma mais rápida.