Mudanças na forma de investir

Brasileiro vive mudança de paradigma nos investimentos, diz Gabriel Leal, sócio da XP Inc.

Segundo o executivo, os juros baixos vieram para ficar, por isso o brasileiro precisa aprender a sofisticar suas aplicações

Gabriel Leal
Gabriel Leal, sócio-diretor da XP Inc. (Divulgação/Leo Albertino)

SÃO PAULO – Abrindo oficialmente a Expert XP 2020, conferência anual de investimentos da XP Inc., o sócio, head comercial e de relacionamento com clientes do grupo, Gabriel Leal, reforçou o compromisso do evento em levar conteúdos para todos os brasileiros e, assim, contribuir para a transformação do mercado financeiro, mesmo diante dos desafios impostos pela pandemia.

No discurso, o executivo destacou que a nova realidade de crise e transformações sociais exige uma mudança profunda na relação do brasileiro com o dinheiro daqui para frente.

“Nós estamos atravessando a maior transformação cultural na forma de investir no País. Em todas as crises recentes, o investidor brasileiro, quando tinha alguma incerteza, corria e comprava produtos atrelados ao CDI [taxa que serve como referência para as aplicações de renda fixa]. Hoje, o cenário não é mais o mesmo”, afirma Leal.

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O executivo acredita que o baixo patamar da taxa básica de juros da economia, a Selic, que está em 2,25% ao ano, deve se manter por um longo período no país por conta de uma série de fatores, como o desemprego alto, que desestimula o consumo e mantém a inflação baixa.

“No cenário antigo de juros, com taxas reais [acima da inflação] na casa de 8% ao ano, um investimento inicial de R$ 100 mil após dez anos chegava a R$ 232.000. Hoje, com o mesmo valor, o investidor chega a uma rentabilidade quase 50% inferior e é justamente essa diferença que faz com que os investidores pensem em formas diferentes de investir”, exemplifica.

Diante do novo contexto, Leal reforça que é o momento de sofisticar os conhecimentos sobre o mercado financeiro e aprender a investir o dinheiro não apenas em aplicações de renda fixa, conservadoras, atreladas ao CDI.

Para isso, a diversificação do portfólio se torna fundamental para o investidor local, que quer multiplicar seu patrimônio nessa nova era da economia.

Segundo o executivo, a reserva de emergência deve, sim, ser alocada em ativos de baixo risco e alta liquidez, já que esse dinheiro deve estar disponível para ser resgatado diante de um imprevisto. Mas o resto da carteira deve ser exposto a produtos mais agressivos, como ativos de renda variável, ações e fundos de investimento que permitam retornos maiores.

Outros pontos que devem ser considerados pelo brasileiro na sua jornada de investimentos, segundo o sócio da XP, são o planejamento para o longo prazo e a resiliência, para que o investidor se mantenha firme, mesmo diante da volatilidade do mercado e das incertezas.

“São dois conceitos fundamentais que o brasileiro precisará aprender. A realidade do mundo dos investimentos, principalmente no Brasil, foi alterada e a diversificação tem que estar presente a todo instante na carteira dos investidores”,  conclui Leal.

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