Brasil tem número alto de juízes, mas Justiça é uma das mais lentas do mundo

Esta é uma das conclusões de um estudo do STF, que mostra ainda que o Poder Judiciário custa R$ 108 ao ano para cada brasileiro

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SÃO PAULO – O Brasil possui mais juízes que a média internacional, mas a Justiça brasileira é uma das mais lentas do mundo. Esta é uma das principais conclusões de um estudo sobre a situação do Poder Judiciário em 2003 que deve ser divulgado na íntegra no próximo dia 12 de maio.

Antecipados na última sexta-feira (06) em palestra do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Nelson Jobim, alguns números do relatório mostram que existem 13,747 mil juízes em atividade no País, o que equivale a uma média de 7,62 magistrados a cada 100 mil habitantes.

Para efeito ilustrativo, vale dizer que a ONU (Organização das Nações Unidas) classifica como ótima a situação de países que possuem uma média de sete juízes por 100 mil habitantes.

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Apesar do número elevado de magistrados, de cada 100 processos que deram entrada nos tribunais nacionais em 2003, somente 41 foram resolvidos no mesmo ano.

Justiça lenta custa R$ 108 por brasileiro

Como se não bastasse a discrepância entre número de profissionais em atividade e velocidade de execução do trabalho, o mesmo estudo revela ainda que o Poder Judiciário brasileiro consome expressivos R$ 19 bilhões por ano. Este orçamento representa um gasto de R$ 108,82 anuais de cada cidadão brasileiro.

Os números restritos à esfera federal comprovam ainda com maior nitidez o preço caro que o contribuinte nacional paga por uma Justiça lenta. Nos Tribunais Regionais Federais (TRFs), a taxa de congestionamento, que mede o volume de processos atrasados em mais de um ano, atinge 76,23%. Ou seja, de cada 100 ações iniciadas em 2003, menos de 24 foram solucionadas em apenas um ano. Já nas Varas Federais de 1º grau, a taxa de congestionamento chega a 81,37%.

A pesquisa ainda mostra que atualmente há 10,07 mil ações pendentes para cada desembargador dos Tribunais Regionais Federais. No caso da Justiça do Trabalho, este atraso é de 1,3 mil processos por juiz, média similar a dos tribunais estaduais de justiça, de 1,307 mil ações por magistrado.

De acordo com o ministro Nelson Jobim, estes números desfavoráveis não se devem aos milhares de magistrados brasileiros, classificados por ele de “muito competentes”. A razão da morosidade, na opinião de Jobim, é o sistema judiciário, especialmente no que diz respeito às suas regras de trânsito.