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SÃO PAULO – Uma das razões alegadas pelas instituições financeiras para explicar o alto patamar em que se encontram os juros ao consumidor é o alto nível de inadimplência. Como os sistemas de análise de crédito existentes no país ainda são bastante rudimentares, na prática o que ocorre é que os bons pagadores acabam pagando mais caro pelos financiamentos, para compensar as perdas que estas instituições irão ter com os inadimplentes.
Esta situação deve mudar com a entrada de um novo mecanismo de controle de crédito a ser lançado pela Acrefi (Associação Nacional de Instituições de Crédito, Financiamento e Investimentos), através do qual será criado um cadastro de bons pagadores, ou seja, de consumidores que sempre pagam em dia.
Mecanismo prevê bônus para bons pagadores
Atualmente o sistema utilizado pelas empresas de crediário é baseado num modelo matemático, mais conhecido como score. Esse sistema avalia o risco de crédito baseado em padrões sócio-culturais, portanto, acaba avaliando os clientes de forma superficial, já que ele é classificado dentro de um padrão geral.
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Por sua vez, o mecanismo a ser lançado pela Acrefi pretende incluir informações específicas sobre os clientes, de forma que será possível conceder aos bons pagadores um bônus, de forma semelhante como já acontece no caso dos seguros de automóvel, onde os motoristas que não se envolvem em acidentes recebem um bônus na época da renovação da apólice.
O novo mecanismo de controle de crédito foi discutido no XXV Encontro Nacional das Instituições de Crédito, que aconteceu nesta semana em Salvador, e contou com a presença do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. A intenção, segundo a Acrefi, é de que o novo sistema seja lançado ainda neste ano, beneficiando a todos os consumidores que pagam em dia.
Todos devem ganhar com novo mecanismo
De acordo com informações do presidente da Acrefi, Ricardo Malcon, todos devem ganhar com a implantação do novo mecanismo de controle de crédito.
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Os bons pagadores por terem acesso a crédito mais barato e as instituições financeiras por conseguirem reduzir o perfil de risco de sua carteira de crédito. Atualmente, a inadimplência do setor está estimada em 8%.
Através do banco de dados dos bons pagadores as financeiras poderão efetuar uma política mais eficiente de concessão de crédito, através da qual os custos dos financiamentos são função do perfil de crédito do tomador. Este tipo de diferenciação permitirá maior competitividade na política de preço da financeira, o que deve se traduzir em um número maior de clientes.
Isto sem falar, é claro, que a maior eficiência no controle de risco, deve, em última instância, favorecer o aumento no volume de concessões de crédito ao consumidor, o que irá beneficiar a economia como um todo.
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Segundo o presidente da Acrefi, atualmente o volume de crédito ao consumidor concedido está em cerca de R$ 28 bilhões, com um valor médio entre R$ 400 e R$ 600. Este volume deve aumentar à medida que um número maior de pessoas está optando por trocar o cheque especial, cujos juros estão ao redor de 10% ao mês, por financiamentos mais baratos, como os empréstimos pessoais, cujas taxas estão ao redor de 6% ao mês.