Publicidade
SÃO PAULO – O chefe de Departamento de Operações Bancárias e do Sistema de Pagamentos do Banco Central, José Antônio Marciano, defendeu a possibilidade de o consumidor pagar mais barato quando usar dinheiro do que quando optar por cartão ou cheque.
De acordo com ele, cada meio de pagamento tem “custos e benefícios” e cabe aos lojistas e aos consumidores negociarem. “Os estabelecimentos devem ter consciência dos meios que têm para definir o melhor instrumento. No caso do consumidor, há outras variáveis, como o dia da compra e do crédito disponível para saber qual a melhor forma de pagamento”, afirmou.
Ele falou durante audiência pública que acontece nesta quinta-feira (8) na Câmara dos Deputados para discutir a regulamentação do setor de cartões.
InfoMorning
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
O governo
Marciano afirmou que uma regulamentação no setor não iria afetar o funcionamento da indústria de cartão no País. “Ninguém aqui está falando que somos contrários às vendas com cartões. Queremos é melhorar sua eficiência. A indústria vai continuar forte, e qualquer medida que venha a ser tomada vai preservar o funcionamento normal da indústria”, disse, segundo a Agência Câmara.
Um ponto que deve ser regulamentado, de acordo com ele, é a concentração dos credenciadores, já que as duas maiores bandeiras do mercado (Visa e Mastercard), que respondem por 89% das transações de crédito, só trabalham com Visanet e Redecard. “Seria muito adequado que essa predominância fosse diminuída”.
O setor
Na ocasião, o diretor da área Fiscal e Tributária da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), Ivo Vieitas, disse que as taxas cobradas no cartão de crédito são altas porque a inadimplência também é elevada.
Continua depois da publicidade
“Aumentamos a tolerância a sinistro, já que a camada da base da população é mais instável e apresenta maior inadimplência. Para ela ter cartão de crédito, é necessário que uma parte das taxas garanta equilíbrio”. Ele afirmou, no entanto, que o objetivo do setor é ampliar ainda mais a quantidade de pessoas que usam cartão de crédito.
Os lojistas
A CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas) disse que é a favor do governo em todas as medidas que estimulam a competição saudável no setor de cartões de crédito, mas exige definições mais claras em relação às taxas que são cobradas, que são “extorsivas” e afetam lojistas e consumidores.
“Reunião de todas as bandeiras em uma só máquina e fixação de prazo para os contratos já são um começo para pôr fim aos abusos”, disse o empresário Roque Pellizzaro Junior, presidente da CNDL.
Continua depois da publicidade
As taxas cobradas pela indústria, de acordo com a confederação, chegam a quase 400% ao ano, mas é possível que elas caíam a 50%, no caso de uma regulamentação. “Tudo que é cobrado é repassado e quem perde é sempre o consumidor. Todo esse dinheiro que alimenta os cartões é desviado do consumo e deixa de fortalecer o desenvolvimento sustentado”.