Bancos reduzem expectativa de avanço do crédito ao consumidor

Modalidade em que a expectativa de avanço do crédito mais caiu foi a de carro, devido a medidas macroprudenciais

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SÃO PAULO – Os bancos reduziram a expectativa para o avanço do crédito ao consumidor neste ano, principalmente no segmento de automóveis, revelou a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) nesta terça-feira (15).

Em fevereiro, os bancos esperavam que o crédito às pessoas físicas crescesse 17% neste ano, percentual que caiu para 16,5% em março.

No ano passado, essa modalidade cresceu 18,8% e, de acordo com os bancos, ela deve evoluir 15,5% em 2012, segundo a pesquisa de Projeções e Expectativas de Mercado.

De acordo com o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, a redução das expectativas foi causada pela projeção de crescimento menor da economia, pelas medidas macroprudenciais tomadas pelo governo no ano passado e pela elevação do juro. “As medidas vão impactar tanto em 2011 quanto em 2012”, afirmou ele.

Crédito às famílias
Ainda em relação aos empréstimos para pessoas físicas, os dados mostram que os bancos esperam uma evolução de 18,3% neste ano em crédito pessoal – incluindo consignado -, ante uma alta de 25,2% em 2010.

Já nas operações de crédito para aquisição de veículos, por sua vez, a pesquisa revelou que as instituições aguardam uma expansão de 16,2% em 2011, sendo que no ano passado o aumento ficou em 19,9%.

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Em fevereiro, os bancos esperavam um aumento de 17% no crédito para aquisição de veículos, o que remete à queda das expectativas nesta modalidade. No caso do empréstimo pessoal, as projeções não se alteraram.

“Na parte de pessoas física, o recuo das expectativas esteve muito concentrado na parte de veículos, que foi o segmento mais afetado pelas medidas do governo”, explicou ele, em referências às decisões tomadas em dezembro de 2010, de elevação das alíquotas dos recolhimentos compulsórios e do fator de ponderação do risco em empréstimos de longo prazo a pessoas físicas.

Mercado
Em relação às pessoas jurídicas, a alta esperada para este ano é de 16,6%, enquanto no ano passado o crédito para as empresas avançou 15,4%.

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De forma geral, os bancos esperam que as operações de crédito da carteira total cresçam 17,4% neste ano, ante 20,5% registrados em 2010.

Em relação à perspectiva de inadimplência, que não distingue pessoas físicas e jurídicas e considera atrasos acima de 90 dias, a estimativa dos bancos é de 4,5% para este ano, a mesma de fevereiro, ante o consolidado de 4,6% de 2010.

“A inadimplência pode até subir um pouquinho – se estamos falando de elevação do juro, condições de crédito mais complicadas – mas nada significativo. Ela está em linha com o que os bancos estão anunciando e as condições de crédito continuam favoráveis para o comportamento da inadimplência”, ponderou Sardenberg.