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SÃO PAULO – Passado pouco mais de uma semana da divulgação no Diário Oficial da medida provisória que prevê o chamado crédito com desconto em folha, os bancos já demonstram enorme otimismo com as perspectivas para estas linhas de crédito.
Ao contrário das outras linhas lançadas até o momento pelo governo, como os financiamentos subsidiados de linha Branca e as operações de micro-crédito, que basicamente forçam os bancos a subsidiar as taxas de juros, nas linhas de crédito com desconto em folha o maior atrativo é, sem dúvida, o baixo risco de inadimplência destas operações.
Baixo risco permite taxas mais atrativas
A grande vantagem destas linhas para os bancos é que o pagamento das prestações do crédito é feito diretamente através de desconto em folha, de forma que o risco de inadimplência é praticamente nulo. Exatamente por isto os bancos poderão oferecer taxas bem mais atrativas neste tipo de financiamento, entre 2-4% ao mês, frente aos 5-6% dos empréstimos pessoais tradicionais.
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Do ponto de vista do trabalhador, que precisa estar trabalhando sob regime CLT, a grande vantagem é que não existem limitações no prazo ou no montante a ser emprestado, mas apenas no valor da prestação, que não poderá exceder 30% do salário líquido (ou 40% do salário bruto). Desta forma, o trabalhador pode ajustar o financiamento através do valor da prestação, alongando o prazo de pagamento, quanto maior for o valor financiado, e vice-versa.
Portanto, o banco só corre algum risco quando o trabalhador é demitido, pois, neste caso, o montante do saldo devedor que não for quitado no momento da demissão ficará a cargo do trabalhador, sendo que as condições do financiamento serão mantidas. De forma a limitar a pressão dos bancos para que os recursos da rescisão fossem integralmente usados na quitação, a MP estabeleceu que o trabalhador poderá usar, no máximo, 30% do valor recebido na rescisão para quitar o saldo devedor.
Linhas devem injetar R$ 20 bilhões na economia
De maneira geral, a própria Febraban (Federação Brasileira de Bancos Privados) prevê que as novas linhas devem injetar algo como R$ 20 bilhões em novos recursos na economia.
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Se tomarmos como base a última Nota de Política Monetária do Banco Central, divulgada nesta semana, podemos constatar que dentre as operações de crédito não direcionadas, ou seja, que podem ser livremente direcionadas pelos bancos para qualquer tipo de financiamento, os empréstimos para pessoa física chegam a R$ 83,7 bilhões, ou o equivalente a 5,4% do PIB (Produto Interno Bruto).
Desta forma, a injeção de outros R$ 20 bilhões implicaria em um aumento de quase 24% no total de recursos livres concedidos a pessoas físicas, de forma que a participação destes créditos sobre o PIB passaria a ser de 6,7%. Ainda assim, participação total dos créditos do sistema sobre o PIB ficaria em 26%, muito abaixo, portanto, de outros países em desenvolvimento, como o Chile, onde ela chega a 66%.
Bancos esperam dobrar carteira em seis meses
Mas se analisarmos apenas os recursos efetivamente concedidos para operações de crédito com desconto em folha no momento, a perspectiva é ainda mais otimista, e a maioria dos bancos espera dobrar sua carteira em apenas seis meses.
A Caixa Econômica Federal, por exemplo, conta com uma carteira de R$ 1,3 bilhão neste tipo de financiamento e trabalha com cerca de sete mil companhias. A carteira de crédito com desconto em folha responde por cerca de 30% da carteira de créditos para pessoa física da instituição. Somente nas duas primeiras semanas de setembro, a Caixa já teria concedido R$ 80 milhões para este tipo de linha, de forma que espera dobrar sua carteira nos próximos seis meses.
Esta também é a previsão do Banco do Brasil e do Bradesco: enquanto o BB conta com uma carteira de R$ 500 milhões neste tipo de linha de crédito, a carteira do Bradesco é bem maior, de R$ 2 bilhões. No caso do Bradesco, a instituição administra cerca de 19 mil folhas de pagamento.