Aumento do consumo de orgânicos é barrado pelos preços altos

Apesar de continuarem 30% acima dos similares não-orgânicos, os preços já foram 70% mais caros há cinco anos

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SÃO PAULO – Em paralelo ao consumo excessivo de produtos sem nutrientes e extremamente gordurosos que ocorre hoje, também é possível perceber os consumidores buscando uma alimentação mais saudável e, dentro disso, aparecem em destaque os produtos orgânicos e naturais.

De acordo com um levantamento feito pela Organic Services no final de 2010, de uma maneira geral, os brasileiros até querem consumir mais alimentos orgânicos, mas a maior dificuldade para isso é o preço, seguido pela pouca variedade e dificuldade em encontrar os produtos.

“A expectativa não é que o preço dos produtos orgânicos se iguale ao dos não-orgânicos. O preço pode cair bastante, mas não deixa de existir a diferença de um plus de qualidade”, avalia o consultor da Organic Services, Ulisses Bocchi.

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Preços
Mas há motivos para comemorar. Dados da Brasilbio (Associação Brasileira de Orgânicos) mostram que, há cinco anos, os preços dos orgânicos ao consumidor eram, em média, 70% superiores aos similares não-orgânicos. Hoje, custam apenas 30% mais.

Bocchi explica que os preços altos de hoje ocorrem por conta da cadeia de produção não ser desenvolvida: o produtor é pequeno, a loja especializada é pequena, etc, e os custos acabam saindo mais altos.

“Nos locais em que o mercado se desenvolve, há queda do preço de determinado produto. Mas não é sempre que ele diminui”, explica.

Locais para compra
Segundo a Organic Services, o principal canal de distribuição desses tipos de mercadorias, hoje, é o supermercado. A informação é reiterada pela Brasilbio, que estima que um em cada três supermercados no País vende orgânicos.

Em seguida, segundo o estudo da Organic Services, os consumidores buscam lojas especializadas e as feiras de orgânicos, que são justamente as que detêm o maior grau de satisfação dos consumidores.

“Nas feiras de produtos orgânicos, o produto pode ser encontrado por um valor mais barato”, destaca o consultor. Ele cita o exemplo da alface americana, que foi encontrada por R$ 2 em feiras de Curitiba e Brasília, valor que os consumidores pagam pela alface convencional em São Paulo.

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Mas o que o consumidor deseja encontrar nos estabelecimentos? Para adquirir os orgânicos, os brasileiros buscam lojas que ofereçam produtos de qualidade, com praticidade e preço baixo.

Falta conhecimento
Mais de 50% dos brasileiros entrevistados – mesmo aqueles que consomem alimentos orgânicos – consideram que conhecem pouco sobre o tema. Além disso, um terço deles não reconhece nenhum selo que certifica produtos orgânicos e mais da metade não se lembra de nenhuma marca.

“Chama a atenção que os consumidores de produtos orgânicos têm alta escolaridade e alto poder aquisitivo, mas desconhecem as informações sobre eles”, alerta Bocchi. “O selo é o que diferencia o produto orgânico e é a primeira coisa que o consumidor deveria olhar. Se ele nem lembra de ter visto o selo, mostra que falta informação”.

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Inclusive, a primeira lembrança relacionada aos orgânicso é simplesmente a ausência de agrotóxicos. “O produto sem agrotóxico está muito longe de ser um orgânico”, esclarece. “O produto orgânico é um conceito bastante amplo e complexo, pois envolve todos os processos da produção, como a adubação, o tratamento dos funcionários e até o cuidado com o meio ambiente da propriedade”.

Feiras
Desde a última quinta-feira (21) está acontecendo a 7ª edição das feiras Bio Brazil Fair (de produtos orgânicos) e a Naturaltech (de produtos naturais), no Pavilhão da Bienal do Ibirapuera, na capital paulista.

Abertas ao público em geral, ambas permitem degustação e compra diretamente de produtores e fabricantes, como forma de aproximar os consumidores da cultura orgânica e natural. O evento vai até o próximo domingo (24), e a expectativa é que mais de 21,5 mil pessoas passem pelo local, superando o número de visitantes das edições anteriores.