Aumento do compulsório pode encarecer crédito ao consumidor

Medida anunciada pelo Banco Central para tentar conter a escalada do dólar deve diminuir o volume de empréstimos

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SÃO PAULO – Muitos consumidores devem estar perplexos frente à alta do dólar, que somente em 2002 já supera os 16%. Buscando conter a alta da moeda norte-americana, o Banco Central anunciou no final da semana passada, que estaria aumentando o compulsório sobre os depósitos a prazo, de 10% para 15%. Diante disto, da redução da moeda em circulação, a expectativa é que os juros ao consumidor venham a subir.

Com a proximidade das férias de julho, aquela tão programada viagem pode sair mais cara que o planejado, ou mesmo mais curta para caber no orçamento. Além disso, alguns produtos, mesmo aqueles destinados para satisfação de necessidades básicas, também acabam sendo reajustados, prejudicando novamente a população.

A forte volatilidade no mercado de câmbio já era esperada, especialmente diante das incertezas quanto à sucessão presidencial, uma vez que o mercado ainda não vê com bons olhos a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, e buscando se proteger compra dólares, o que leva a cotação da moeda a subir.

O que é o compulsório?

Sempre que você deposita qualquer quantia em dinheiro no banco, a instituição financeira é obrigada a depositar 45% do valor como compulsório. O recurso se destinará à compra de títulos públicos que ficarão sob custódia do Banco Central, impossibilitando o banco de utilizar o dinheiro para outras operações, como crédito ao consumidor.

Além disso, existe também o chamado compulsório para depósitos a prazo, ou seja, para aplicações com resgate programado, como os CDBs (Certificado de Depósito Bancário). A alíquota do compulsório, que era de 10%, foi elevada para 15% na última sexta-feira pelo Banco Central para tentar conter a escalada do dólar.

Menos dinheiro, menos empréstimos

Ao aumentar a alíquota do compulsório para depósitos a prazo, o Banco Central tirará de circulação cerca de R$ 6,5 bilhões, diminuindo os recursos que os bancos dispõem para comprar dólares. Porém, com menos dinheiro em circulação, o custo do dinheiro aumenta, como, aliás, acontece em qualquer mercado, se diminui a oferta, mas a demanda se mantém o preço do bem tende a subir.

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Isto não poderia deixar de acontecer com o dinheiro, que por estar mais escasso fica mais caro, como o custo do dinheiro é expresso pela taxa de juros, o aumento dos compulsórios deve implicar em um ajuste nos juros, ou em uma redução no volume de empréstimos.

Com isso, os consumidores, que já amargam elevadas taxas de juros para conseguirem empréstimos, devem ser obrigados a pagar ainda mais caro em operações como crédito pessoal ou financiamentos de bens duráveis, como carro, eletrodomésticos, móveis, entre outros.

Logo, é fundamental que os consumidores pesquisem bastante para encontrar as melhores taxas de juros oferecidas, já que dificilmente todos os bancos e financeiras elevam as taxas na mesma proporção. Além disso, outra boa opção seria antecipar financiamentos quando possível, já que o mercado financeiro deve continuar vivendo dias de muita tensão até o final do ano, devido às eleições, e a Selic, taxa de juros básica da economia, dificilmente seguirá uma trajetória de queda, como se esperava inicialmente.