Aumento da inadimplência reflete período anterior à crise, diz ex-diretor do BC

Nesse período houve forte oferta do crédito e muitos pegaram dinheiro sem poder pagar. Isso só parou a partir de setembro

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SÃO PAULO – De acordo com o economista e ex-diretor do Banco Central, Carlos de Freitas, o aumento da inadimplência no início deste ano ainda reflete o período anterior à crise financeira internacional.

Ele explica que houve uma forte expansão do crédito antes que a crise se instalasse, o que levou muitas pessoas e empresas a pegarem dinheiro emprestado, sem ter condições para pagar a dívida.

Depois do agravamento da crise em meados de setembro, revela o economista, os bancos passaram a ser mais “seletivos para oferecer crédito”. Dessa forma, ele acredita que a inadimplência vai recuar a partir de maio.

Crédito

O ex-diretor do BC ainda avalia que as medidas do governo para estimular o crédito – como a que elevou os limites do microcrédito – podem não ter efeitos imediatos, mas serão importantes no momento em que a economia “retomar seu compasso”.

Afinal, explica Freitas, na atual conjuntura, ainda não há demanda para aquisição do crédito, já que as pessoas “não têm negócios para fazer nem perspectivas de ganhos”.

Taxas de juros

Já em relação às taxas de juros cobradas nos financiamentos, que estão caindo a níveis anteriores à crise, o economista destaca que esse movimento é um sinal de que o “momento mais grave do colapso está passando ou já passou.

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E ainda lembra que os bancos, por exemplo, começam a repassar a redução do spread – diferença entre o que o banco paga para pegar dinheiro e quanto cobra de quem empresta – para os clientes.

“Os bancos médios e pequenos estão começando a ter acesso a linhas de crédito aqui dentro e lá fora. Estão recuperando a capacidade de renovar [empréstimos]”, disse, conforme publicado na Agência Brasil.

Bancos grande, médio e pequeno

O economista ainda explica que os grandes bancos têm “capilaridade de captação de recursos”, pois contam, entre outras coisas, com agências em todo o país e fundos de investimentos, ou seja, “captam diretamente com o público”.

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Os bancos pequenos e médios, por sua vez, sofrem mais com a crise, pois pegam recursos justamente no mercado interbancário (os grandes bancos aplicam o excesso de captação nos de porte médio e pequeno, que são geradores de negócios no sistema bancário), que reduziu muito sua capacidade nesse momento delicado da economia.