Aumenta a participação de álcool na gasolina

Medida pode comprometer durabilidade dos automóveis, assim como causar um aumento de até 2% no consumo de combustíveis

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SÃO PAULO – Não bastasse o anúncio de que os combustíveis seriam novamente reajustados neste último domingo, aumentando em média 5,15% nas bombas, nesta segunda-feira a ANP (Agência Nacional de Petróleo) anunciou que o percentual de álcool na gasolina deve aumentar.

Percentual aumentou de 24% para 25%

De acordo com as informações divulgadas, a mistura de álcool deve aumentar dos atuais 24% para 25% do litro da gasolina. Preocupado com o anúncio de uma safra recorde de cana de açúcar, que poderia prejudicar os preços do açúcar brasileiro, o Governo optou pelo aumento da participação do álcool na gasolina como forma de incentivar a produção de álcool no país, ao invés da produção de açúcar.

Esta, aliás, não é a primeira vez em 2002 que o Governo aumenta a participação de álcool na gasolina. A primeira vez foi em janeiro de 2002, quando o percentual de álcool aumentou de 22% para 24%.

Consumo deve aumentar

A medida em teoria poderia ajudar o consumidor, uma vez que o custo do álcool é mais baixo do que o da gasolina, de forma que o aumento da participação de álcool poderia ajudar a reduzir o custo da gasolina, mas na prática os postos não levam isto em consideração.

Desta forma, o consumidor acaba sendo penalizado, pois não se beneficia da redução no custo do litro da gasolina, mas acaba sofrendo com o aumento do consumo de combustível. Pelo menos é isto que afirma a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). De acordo com a AEA, como os motores são calibrados para uma mistura com 22% de álcool, o maior percentual de álcool deve causar um aumento no consumo de combustível. Dependendo do modelo e ano de fabricação do veículo, a AEA alerta para algumas possíveis modificações causadas pelo aumento da participação de álcool na gasolina:

Pelo menos no que refere ao meio ambiente, a AEA não acredita que o aumento da parcela de álcool deva implicar em um aumento na emissão de agentes poluentes por parte dos carros que contam com injeção eletrônica. Se o consumidor sai prejudicado com o aumento do consumo, pelo menos resta o consolo de que não terá que sofrer com a piora da qualidade do ar.