Atrasos e cancelamentos de voos afetam 18,5 mi de passageiros em 2025, diz pesquisa

Mesmo abaixo de 2024, dados indicam que dificuldades ainda permanecem nos aeroportos

Anna França

Vista geral do Aeroporto Internacional de São Paulo em Guarulhos, Brasil - 19/12/2022 (Foto: REUTERS/Carla Carniel)
Vista geral do Aeroporto Internacional de São Paulo em Guarulhos, Brasil - 19/12/2022 (Foto: REUTERS/Carla Carniel)

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Cerca de 18,5 milhões de passageiros enfrentaram problemas com cancelamentos ou atrasos superiores a três horas nos aeroportos brasileiros em 2025. Isso representa 18% de todos os viajantes que usaram a aviação comercial no período, conforme dados de um relatório sobre desempenho de aeroportos da AirHelp, empresa global de tecnologia de viagens.

Mesmo ficando 7% abaixo do volume registrado em 2024, quando 19,9 milhões foram afetados, ou 19% do total, o cenário mostra que a melhora veio mais pela queda nos cancelamentos do que por avanços operacionais.

Em 2025, 2,7 milhões de passageiros tiveram voos cancelados, uma redução de 41% frente a 2024, quando chegou a 4,1 milhões. Já os atrasos seguem de forma constante na malha, afetando cerca de 982 mil pessoas com atrasos superiores a duas horas, patamar parecido com o ano anterior.

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O levantamento mostrou ainda a evolução dos números no pós-pandemia. Em três anos, o Brasil saiu de 13,3 milhões de passageiros afetados (2022) para 18,8 milhões (2023) e 19,9 milhões (2024), antes do recuo para 18,5 milhões (2025). Assim, o estudo concluiu que o mercado cresceu, a operação se esticou, e a pontualidade tenta acompanhar.

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Aeroportos

O relatório também deixa claro que pontualidade não é só questão de companhia aérea, mas de infraestrutura. Guarulhos, em São Paulo, foi o aeroporto mais movimentado do país, com mais de 21 milhões de passageiros em 2025. Mesmo com o volume alto, 77% dos voos partiram no horário previsto, mas o terminal também aparece como o mais impactado por interrupções, com 22% de atrasos e 1,2% de cancelamentos. Já o de Brasília liderou em desempenho, com 88% de pontualidade, 10% de atrasos e 1,5% de cancelamentos.

Entre os mais pontuais do ano, além de Brasília, aparecem Fortaleza, com 86%; Campo Grande, com 85%; Salvador, com 85%; Santos Dumont, com 85%; e Cuiabá, com 84%. Na prática, são aeroportos que, por perfil de operação e gestão de fluxo, conseguem entregar uma jornada mais previsível.

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Veja os números por aeroportos:

Fonte: AirHelp

Calendário

O ano não foi uniforme. Conforme o relatório, dezembro foi o mês mais crítico, com aumento da demanda no final do ano, com 31% dos passageiros enfrentando atrasos ou cancelamentos. O ponto máximo do estresse veio em 10 de dezembro, quando 69% dos voos tiveram algum tipo de interrupção, indicando que, quando a demanda sobe e a operação já está no limite, o atraso se torna inevitável.

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No outro extremo, março foi o mês mais tranquilo, com apenas 13% dos passageiros impactados.

Veja as rotas onde o relógio funciona

A rota Palmas–Goiânia foi considerada a mais pontual, com 97% de passageiros chegando no horário. O maior índice de atrasos apareceu em Guarulhos–Munique, onde 61% dos passageiros foram afetados. E a maior taxa de cancelamentos foi na rota Porto Velho–Rio Branco, com 22% de passageiros com voos cancelados.

Rotas mais pontuaisTotal de passageiros% de pontualidade
Palmas para Goiânia41.00097%
Campo Grande para Curitiba16.00096%
Palmas para Belo Horizonte34.00096%
Salvador para Maceió52.00096%
Fortaleza para São Luiz71.00096%
João Pessoa para Salvador35.00095%

Cenários

Essa fotografia indica que em rotas curtas e domésticas com menor complexidade, a previsibilidade é mais comum, enquanto trechos mais sensíveis (por distância, conexões e janelas de operação) podem concentrar mais risco.

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A queda de 7% no total de passageiros afetados é um alívio, mas não representa uma solução, especialmente em um mercado grande e ativo, com 105 milhões de passageiros viajando em cerca de 784 mil voos com partidas a partir de aeroportos brasileiros, dentro de um universo de 129,6 milhões de embarques e desembarques nos aeroportos do país.

Assim, os números da AirHelp mostram que o sistema está movimentado, mas ainda enfrenta turbulências. A pontualidade, segundo a empresa, vira um indicador econômico também, porque atraso não é só aborrecimento para o consumidor, mas também é custo. Para o passageiro, em tempo e conexões perdidas. Para companhias, em produtividade e logística. Para aeroportos e empresas, em reacomodações, tornando um efeito cascata.

Anna França

Jornalista especializada em economia e finanças. Foi editora de Negócios e Legislação no DCI, subeditora de indústria na Gazeta Mercantil e repórter de finanças e agronegócios na revista Dinheiro