Aposentadas garantem estudos dos filhos e netos

Estudo revela que, aposentadas ajudam na manutenção de suas famílias e começam alterar cenário social do país, através dos incentivos a educação

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SÃO PAULO – Estudo recente dos pesquisadores do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) descobriu que as mudanças introduzidas na legislação previdenciária, favorecendo a aposentadoria de pessoas com mais de 30 anos de serviço, mudou a situação econômico-social da população.

Mudanças na Previdência afetam família toda

O estudo constatou que 73% da renda das famílias chefiadas por mulheres idosas são provenientes das receitas das aposentadorias e das pensões que elas recebem.

Além disto, o Estudo contribuiu para constatar que mudanças na legislação previdenciária afetam não somente os indivíduos dependentes das receitas do sistema previdenciário, mas sim o orçamento da família toda que conta com o dinheiro da aposentadoria e das pensões.

De acordo com as pesquisadoras, Amélia Camarano e Maria Tereza Pasinato, responsáveis pelo estudo “Envelhecimento, condições de vida e política previdenciária. Como ficam as mulheres?”, cerca de 13 milhões de famílias dependem dos benefícios previdenciários.

Educação dos filhos e netos

Ainda mais significativa é a constatação de que estas mulheres são responsáveis pela educação dos seus filhos e netos, deixaram de ser aquela figura dependente dos outros para se tornarem provedoras de muitas famílias.

O estudo do IBGE revelou que 7,9% dos filhos de aposentadas, maiores de 21 anos moram com as suas mães, são dependentes dos benefícios recebidos pelas suas mães e ainda estudam. Outro dado relevante é o de que 76% das crianças entre 7 e 14 anos, netas de aposentadas, freqüentam as escolas. Entre as crianças na mesma faixa etária e que não vivem com os avós, esse percentual é menor, cerca de 67% freqüentam as escolas.

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Os estudiosos do Ipea acreditam que muitos dos idosos brasileiros se encontram em melhores condições econômicas do que os jovens. Isso porque a maioria dos idosos ganha mais, uma parcela significativa possui moradia própria, o que possibilita contribuir na renda familiar.

Beneficiando mais pessoas

De acordo com os dados do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio) referentes a 1999 a proporção de mulheres com mais de nove anos de estudos é maior do que a de homens. Como as mulheres tiveram mais tempo para estudarem, elas conseguirem obter uma formação melhor do que a dos homens. A melhor formação profissional permite que os filhos dessas mulheres acabem tendo melhores oportunidades tanto no aspecto profissional como no cultural.

Os rendimentos das mulheres idosas também contribuem com esse circulo vicioso, visto que a maioria delas acaba ajudando na manutenção das famílias, como por exemplo, na educação dos seus filhos e netos. Apesar da remuneração dos homens ainda ser maior do que a das mulheres, estas acabam fazendo mais com o seu dinheiro do que os homens, beneficiando um número maior de pessoas.