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Apesar do crescimento das vendas, rentabilidade do setor de seguros é baixa

Cada R$ 1 em vendas representa cerca de $ 0,713 pagos na forma de indenizações, o que implica na taxa de sinistralidade de 71,3%

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SAO PAULO – Segundo dados divulgados pela Susep (Superintendência de Seguros Privados) as vendas de seguros no país, excluindo a venda de seguros saúde, alcançaram a marca de R$ 15,3 bilhões no acumulado dos oito primeiros meses de 2002.

Vendas de seguros de vida disparam

Dentre as várias modalidades de seguros, os de automóveis ainda respondem pela maior parte das receitas, com vendas de cerca R$ 5,4 bilhões, ou o equivalente a 35,3% do total. Contudo, a queda na atividade econômica desde o ano passado, acabou prejudicando as vendas de veículos zero km, e conseqüentemente a venda de seguros de automóveis. Ainda assim as vendas de seguros de automóveis cresceram 1,13% em relação ao registrado nos primeiros oito meses de 2001, quando totalizaram R$ 5,372 bilhões.

Apesar do crescimento das vendas, as perspectivas para o segmento não são favoráveis já que se estima uma queda de 3% nas vendas de automóveis zero km em 2002 em relação ao volume registrado no ano passado, o que certamente prejudicará a venda de seguros de automóveis.

Em sentido contrário, o ramo vida vem registrando um forte crescimento nas vendas, com um total de prêmios nos primeiros oito meses do ano de R$ 4,096 bilhões, o que representa um crescimento de 44,8% em relação aos R$ 2,8 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O bom desempenho do ramo vida deve-se ao início das vendas dos novos seguros de vida resgatáveis, também conhecidos como VGBLs e que foram lançados em março deste ano. Com cerca de R$ 1,048 bilhão de receitas os VGBLs já respondem por 25,5% da carteira de vida.

Rentabilidade é baixa

Se por um lado as vendas de seguros parecem registrar um bom desempenho em 2002, o mesmo não se pode dizer da rentabilidade do setor. Com base nos dados da própria Susep, estima-se que do total de vendas de R$ 15,3 bilhões, apenas R$ 11,5 bilhões tenham sido efetivamente retidos pelas companhias de seguros.

Contudo, do total embolsado deve-se deduzir os gastos com indenizações ou sinistros de R$ 8,2 bilhões, o que implica em uma taxa de sinistralidade de 71,3%, ou seja, de cada R$ 1 ganho pela seguradora cerca de $ 0,713 são pagos na forma de indenizações.

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Com os R$ 3,3 bilhões restantes as seguradoras têm que arcar com R$ 2,2 bilhões em despesas de comercialização, isto é, despesas para conseguir vender os produtos, e outras R$ 2,3 bilhões de despesas administrativas, o que implica em um prejuízo operacional de R$ 1,2 bilhão. O prejuízo operacional acaba sendo compensado pelos ganhos com a carteira de investimentos das seguradoras, que no período chegou em R$ 1,98 bilhão, de forma que a rentabilidade final fica em apenas R$ 0,78 bilhão, ou cerca de 5% das vendas totais.

Se considerarmos que o retorno da carteira de investimentos é alto devido aos altos juros ainda praticados no mercado brasileiro, fica fácil verificar que diante da perspectiva de corte nos juros da economia, as seguradoras terão que investir no controle de gastos se quiserem se manter rentáveis.

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