Analistas não poupam elogios e continuam a ver bom momento para Hering

Apesar de valorização expressiva neste ano (+137,51%), ações acompanham resultados e ainda têm espaço para subir

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SÃO PAULO – Resultado brilhante no segundo trimestre, boa administração, reposicionamento da marca, otimização de custos e despesas, crescimento de dois dígitos nas vendas: o mercado não poupa elogios à Cia Hering (HGTX3), empresa que comercializa as marcas Hering, PUC e dzarm. E os investidores acompanham o otimismo. Até o dia 30 de agosto de 2010, as ações da companhia valorizaram-se 137,51%. Se o período analisado for os últimos 365 dias, o número é ainda mais expressivo: alta de 278,80%. 

Para Marcelo Varejão, analista da Socopa, o bom momento dos papéis não é só antecipação em relação aos resultados da empresa, mas também um reflexo da capacidade da companhia em entregar resultados prometidos ou mesmo superá-los. Os números contidos no balanço do segundo trimestre de 2010, por exemplo, excederam com facilidade a estimativa feita por Varejão.

O Deutsche Bank, em relatório assinado por Renata Coutinho, classificou o resultado como “brilhante”. Vale notar que os preços-alvo estabelecidos tanto pela Socopa quanto pelo Deutsche Bank foram superados pelo desempenho real das ações em pouco mais de um mês após o estabelecimento.

Reposicionamento de marca
Esse trajetória de sucesso começou com o reposicionamento da marca, com novo projeto arquitetônico para as lojas, ocorrido em meados de 2007. A reestruturação melhora o desempenho de vendas em cerca de 15% a 20%, e cerca de um quinto das lojas ainda devem ser convertidas ao novo modelo. Além disso, os novos estabelecimentos têm capacidade de carregar maior número de mercadorias em estoque com a nova disposição, aumentando a disponibilidade de produtos. Mas não é só nesse ponto que reside a expectativa de crescimento da companhia. 

Com 292 lojas Hering Store ao final do segundo trimestre de 2010, a perspectiva da empresa é que mais 43 lojas sejam abertas até o final deste ano, além de 5 lojas PUC (em 30 de junho, havia 75 lojas da marca). Apesar de ter elevado a expectativa de investimentos de R$ 58,7 milhões para R$ 86,7 milhões em 2010, os analistas não veem pressão em margens ou mesmo em custos. Sandra Peres, analista da Coinvalores, lembra que a baixa alavancagem e a melhora no capital de giro dão à empresa essa capacidade de investimento. 

Modelo de negócios
Para Marcelo Varejão, analista da Socopa, a resposta para isso está no modelo de negócios. A Cia Hering tem participação importante de franquias. De acordo com estimativa da Socopa, cerca de 85% das novas lojas abertas no ano devem ser nesse sistema, que exige pouco desembolso por parte da companhia, mas torna-se um canal de vendas importante. Além disso, a empresa também não arca com as despesas operacionais desses estabelecimentos.

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Por contar com lojas menores do que outras concorrentes, como Lojas Renner (LREN3), a empresa tem maior facilidade em encontrar pontos adequados de vendas, que encampam lojas em shoppings centers, bairros residenciais ou corredores de comércio em cidades com população superior a 100 mil habitantes. Atualmente, a Hering está presente em 24 estados brasileiros. 

Com essa combinação, que ainda compreende produtos da companhia vendidos em lojas multimarcas, no segundo trimestre, as vendas em lojas já existentes avançaram 21,7%. Sandra Peres, analista da Coinvalores, lembra que mesmo com o agressivo plano de expansão em curso e o aumento significativo das vendas, houve diluição de custos fixos e despesas. Por isso, explica, a margem Ebitda (relação entre receita líquida e geração operacional de caixa) passou de 19,1% no segundo trimestre de 2009 para 27,4%, “bem acima de concorrentes”. 

Pontos para o futuro
E esse é um dos fatores que podem sustentar as ações da Hering. De acordo com Marcelo Varejão, é uma questão de timing: em determinado momento, as vendas nas mesmas lojas deverão convergir para a média do setor, em torno de 10% a 12%. No entanto, quanto mais o crescimento acelerado permanecer, mais tempo dura o momento atrativo para a empresa. 

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A recomendação de Sandra Peres, por sua vez, se baseia na expectativa de bom resultado no quarto trimestre, com as vendas impulsionadas por causa do Natal. A analista não deixa de comentar que o terceiro trimestre é sazonalmente mais fraco, pois não há datas comemorativas significativas, o que pode até contribuir para um movimento de realização de lucro. No entanto, isso não significa tendência de queda, comenta, apostando que o cenário continua a ser positivo para as ações. 

Nova plataforma de crescimento
Para Varejão, enquanto a empresa entregar números acima da expectativa, há espaço para os papéis continuarem a apresentar bom desempenho, sem deixar de lembrar que a companhia está investindo atualmente em uma nova plataforma de crescimento, com inauguração prevista de duas lojas piloto da Hering Kids no segundo semestre. A PUC, que também é dedicada ao vestuário infantil, é uma marca mais cara, e por isso esse segmento pode representar a abertura de um novo nicho para a empresa, lembrou em relatório Renata Coutinho. 

“Existem poucos competidores eficientes nesse segmento de maior “valor” com marca forte, o que representa boa oportunidade para ganhos de participação no mercado”, comentou a analista do Deutsche Bank. 

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Economia brasileira também ajuda
No entanto, “nada disso seria possível se a economia como um todo não estivesse passando por um bom momento”, lembra Varejão, da Socopa. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, prevê que o Brasil termine o ano de 2010 com taxa de desemprego de 7%, o que seria a menor desde 2002. Além disso, o analista da Socopa aponta ainda a disponibilidade de crédito e o aumento da confiança do consumidor  como razões para o atual bom momento do setor de consumo no Brasil. 

O Itaú Securities, por exemplo, mantém visão otimista com as histórias voltadas à economia doméstica, com preço-alvo de R$ 85,90 para as ações da Hering – upside potencial de 25,5% até final de 2011. 

Com uma administração diferenciada, em modelo de negócios que contempla um mix entre franquias, lojas próprias e multimarcas e capacidade demonstrada de entregar resultados, os analistas não veem motivos para não estarem otimistas com a Cia Hering. A companhia, que pretende encerrar o ano de 2012 com 405 Hering Store, também não.