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SÃO PAULO – Passado 2009, ficou mais que provada a evolução da economia e do mercado brasileiro. Ainda que o País tenha, sim, sentido os efeitos da crise lá fora, eles foram inquestionavelmente menores do que em crises passadas. Se o ano passado foi o ano da recuperação, 2010 deverá ser o ano da solidificação. Mas, daqui a um ano, quais os setores e papéis que melhor terão aproveitado esse bom momento?
É com este objetivo que a equipe do BB Investimentos lançou extenso relatório analisando a conjuntura macroeconômica brasileira para os doze próximos meses e, por consequência, delineando os melhores setores e papéis para se apostar em 2010. As conclusões dos analistas, você confere abaixo.
Expectativas econômicas
Antes das projeções setoriais, a equipe do BB lança mão de suas expectativas para o desempenho da economia brasileira em 2010, ano em que deverá registrar um crescimento de “pelo menos 5%” em seu PIB (Produto Interno Bruto), favorecida pela expansão do crédito, aumento da massa salarial, recuo do desemprego e efeitos retardatários da política de flexibilização monetária antes adotada pelo Copom (Comitê de Política Monetária).
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Paralelamente, “a inflação deverá permanecer dentro da meta, devido ao espaço existente de capacidade ociosa”. No entanto, a equipe do BB admite a possibilidade de elevação das pressões inflacionárias dado certo tempo transcorrido, em função da estabilidade da taxa Selic, que segundo as expectativas dos analistas, deverá ser mantida em seu atual patamar de 8,75% ao ano até meados de 2010.
Em um horizonte de maior prazo, o BB destaca os eventos da Copa do Mundo em 2014 e Jogos Olímpicos em 2016, que “devem impulsionar os investimentos em infraestrutura e construção pesada”. Lá fora, as cotações das commodities devem ter um ano mais estável, principalmente as agrícolas e o petróleo.
Vieses e top picks
É sob tais premissas que os analistas partem à segunda etapa de seu relatório: as projeções e recomendações setoriais da bolsa brasileira, cujo principal índice, o Ibovespa, deverá encerrar o ano a 83 mil pontos no que depender da visão do BB.
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Dos quinze setores analisados pela equipe, oito receberam vieses positivos e cinco receberam visões neutras. Apenas dois setores inspiram pessimismo entre os analistas, recebendo viés negativo o de bens de capital e o petroquímico. Dezesseis papéis foram eleitos como os top pick, entre eles, grandes blue chips como as ações da Petrobras, Vale e Itaú Unibanco.
Confira a tabela abaixo:
| Setor | Viés | Top Picks |
|---|---|---|
| Agronegócios | Positivo | |
| Bancos | Positivo | Itaú Unibanco |
| Bens de Capital | Negativo | – |
| Construção Civil | Positivo | |
| Logística e Transportes | Positivo | |
| Mineração | Neutro | Vale |
| Papel e Celulose | Positivo | – |
| Petróleo e Gás | Positivo | |
| Petroquímico | Negativo | – |
| Saneamento | Neutro | – |
| Serviços Financeiros | Neutro | – |
| Siderurgia | Positivo | CSN |
| Sucroalcooleiro | Neutro | – |
| Telecom | Neutro | OI-Telemar |
| Varejo e Serviços | Positivo |
Setor por setor
A argumentação da equipe do BB para suas escolhas e visões, você confere abaixo, setor por setor:
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Segundo a equipe do BB, os principais fatores que deverão reger o setor em 2010 serão a estabilidade nos preços das commodities agrícolas – em função da perspectiva de expansão da safra e do câmbio valorizado -, a recuperação gradual do mercado externo e a continuidade de um mercado doméstico forte.
Assim, os analistas veem com bons olhos companhias cujo foco esteja mais voltado ao mercado interno e cujo custo seja formado por matérias-primas agrícolas, elegendo os papéis da BR Foods e da Marfrig como os top picks dentro do setor, que já recebe um viés positivo.
Outro setor que ganha viés positivo por parte dos analistas do BB é o bancário. Para a equipe, as perspectivas são positivas tanto por estarem alinhadas às premissas macroeconômicas favoráveis como pela criação de um novo instrumento de captação de longo prazo, as Letras Financeiras, “que permitirão aos bancos obter funding para alavancar as operações de crédito imobiliário, financiamento de veículos e à indústria”.
Dentre os papéis que compõem o setor, o preferido pelo BB é o do Itaú Unibanco. Entre os motivos citados, estão a perspectiva de ganhos de sinergia ainda a serem obtidos com a integração dos dois bancos; o crescimento esperado para o ramo de seguros; expectativas otimistas para as operações com cartões de crédito; e a estratégia de expansão internacional da instituição.
Ao contrário dos dois últimos setores citados, o de bens de capital recebe um viés negativo por parte da equipe do BB. Embora a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos devam impulsioná-lo, o segmento se apresenta muito atrelado ao mercado externo, cuja recuperação ainda está a lentos passos. “A valorização cambial é outro fator prejudicial”, dizem os analistas.
“O setor de construção civil deverá iniciar 2010 com fôlego para continuar a retomada de seu crescimento, considerando diversos fatores, como a recuperação das condições macroeconômicas, a disponibilidade de crédito e a recuperação da demanda com o programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ “, dizem os analistas, que destacam também a injeção de recursos no setor por parte dos investidores estrangeiros.
Na hora de eleger os papéis preferidos, o BB seleciona os da Cyrela, Rossi e MRV, por serem empresas que “combinam administração qualificada, boa velocidade de vendas, posição de caixa sólida, visão ampla de mercado e exposição ao segmento econômico”.
Os papéis atrelados ao setor de logística e transportes também recebem viés positivo por parte do BB, que elege como top picks as ações da TAM e GOL. Para a equipe, dentre os fatores que devem impulsionar o setor em 2010, estão os investimentos do PAC, um petróleo mais estável lá fora, incentivos ao turismo e previsão de novos leilões de concessão rodoviária e de slots em aeroportos.
Para a mineração, o grande fator que inspira otimismo entre os analistas do BB é a China. “A indústria siderúrgica do país sofreu pouco e o governo permanece adotando medidas que ajudam a incrementar e sustentar a demanda”, destaca o relatório. A previsão do BB é de um aumento de 15% no preço do minério de ferro em 2010, o que é especialmente positivo à Vale, cujos papéis ganham o posto de top pick.
A indústria brasileira de papel e celulose é outra que deve ser fortemente beneficiada pela demanda chinesa em 2010, na visão do BB. Com isso, o setor ganha também viés positivo, sem, no entanto, ter nenhum de seus papéis na lista de top picks eleitos pelos analistas. “A princípio não destacaremos nenhuma empresa pois a maioria se encontra bastante endividada”, explica a equipe.
São muitos os fatores importantes sobre o setor de petróleo em 2010. De cara, a equipe do BB destaca a projeção da AIE (Agência Internacional de Energia) de uma demanda 1,7% maior pela commodity neste ano frente a 2009. Mas outros elementos devem ser levados em conta, como a desvalorização do dólar lá fora, a baixa utilização das refinarias norte-americanas, o rigoroso inverno no Hemisfério Norte e a retomada de questões geopolíticas no Oriente Médio.
Com tantos elementos a serem ponderados, a equipe do BB preferiu manter sua projeção de um barril de petróleo a US$ 70,00 como cotação média durante o ano. A Petrobras foi eleita top pick pela perspectiva de aumento da produção interna de óleo e gás, bem como do mercado doméstico de combustíveis. Já a OGX foi destacada por seu sucesso exploratório até o momento.
Mais uma vez, o crescimento econômico chinês também é boa referência ao setor petroquímico brasileiro. No entanto, pressionado pelo câmbio, pelas incertezas quanto à cotação do petróleo e da perspectiva de novos projetos industriais na Ásia, o setor não conseguiu emplacar nenhuma top pick no relatório do BB e acabou recebendo um viés negativo.
No setor de saneamento, a previsão do BB é de maior consumo de água e esgoto no País – desconsiderados eventos extraordinários de ordem climática. Por outro lado, as empresas deverão ser prejudicadas pela revisão tarifária, já que o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) marcou deflação de 1,72% em 2009. Com isso, o viés para o setor é neutro, sem top picks eleitas.
Outro setor a receber viés neutro pelo BB é o de serviços financeiros. “Apesar dos fundamentos continuarem positivos, consideramos que questões regulatórias e os receios quanto ao aumento da concorrência devem continuar impactando a performance das ações do setor que, deste modo, não estão entre os nossos top picks para 2010”, explica a equipe do BB.
Por sua vez, o setor siderúrgico brasileiro desfruta de viés positivo entre os analistas do BB. Entre os elementos elogiados pela equipe, estão a relativa resistência da indústria ante à crise externa. Ademais, as vendas domésticas devem seguir em expansão – de 30% em 2010, segundo as projeções do BB -, impulsionadas pela construção civil e indústria automobilística.
Ainda que a Gerdau e a Usiminas também recebam perspectivas favoráveis, é a CSN que figura entre as top picks. “Sua estrutura, flexibilidade e diversificação continuam sendo um diferencial”, afirma a equipe do BB que, no entanto, não deixa de descartar certa volatilidade do papel no curto prazo em função do noticiário em torno da aquisição da Cimpor.
Um setor com extremo potencial de crescimento, mas apenas no médio e longo prazo, principalmente após o término de políticas protecionistas de diversos países que ainda minam a entrada do açúcar brasileiro lá fora. Assim poderiam ser resumidas as perspectivas do BB para o setor sucroalcooleiro, que com isso, recebe um viés neutro por parte da equipe.
No movimentado setor de telecomunicações, os analistas do BB acreditam que “este deva ser o ano da banda larga”. Bem posicionada no segmento, especialmente no de banda larga móvel, a Oi é eleita a top pick no setor, ainda mais por ainda não ter “se beneficiado dos ganhos de sinergia referentes à aquisição da Brasil Telecom”, afirma a equipe.
Um dos setores preferidos dos analistas do BB é o de varejo e serviços, que não à toa, é extremamente atrelado ao mercado doméstico. Emprego e renda em trajetória crescente e aumento constante na confiança do consumidor brasileiro são apenas alguns dos fatores que sustentam o otimismo da equipe.
Os top picks são os papéis de Lojas Americanas e Pão de Açúcar, já que ambas “deverão se beneficiar do aquecimento das vendas de produtos eletrônicos, da escala e da distribuição geográfica”. Por sua vez, a Localiza também recebe projeções otimistas, com base na expectativa de maior movimento nos aeroportos e de aquecimento nos segmentos de vendas de carros, seguros e cartões de crédito.