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SÃO PAULO – O aumento da taxa básica de juro não tem feito que o brasileiro deixe de usar o cartão de crédito. Pelo contrário, o consumidor tem usado o plástico como uma alternativa para manter o seu poder de compra.
Mesmo com as elevações da Selic promovidas pelo Banco Central desde abril deste ano, as quais encarecem o crédito ao consumidor, o faturamento do mercado de cartões de crédito cresceu, o que significa que o uso não foi inibido.
“O aumento da Selic pode reduzir o consumo de supérfluos, mas os cartões hoje são importantes aliados para o controle das compras do dia-a-dia”, afirmou o diretor de Marketing da Itaucard, Fernando Chacon.
De acordo com ele, o cartão se torna um aliado porque permite o planejamento do pagamento de despesas corriqueiras e é por este motivo que a alta da Selic não inibe o seu uso.
Selic versus faturamento
Conforme explicou Chacon, “há uma inelasticidade da taxa básica de juro em relação ao consumo com cartão de crédito”, o que significa que não há impacto direto da Selic no uso do meio de pagamento.
Para se ter uma idéia, em momentos de manutenção da Selic, como entre outubro e novembro do ano passado, em que a taxa ficou fixada em 11,25%, o faturamento do setor cresceu de R$ 16,4 bilhões para R$ 16,7 bilhões.
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Em um momento de alta da taxa, como entre junho e julho deste ano, de 12,25% para 13%, o faturamento do mercado de cartões também avançou: de R$ 17,8 bilhões para R$ 18,4 bilhões. “Se a Selic está sendo usada para conter a inflação, o cartão é usado pelo consumidor para manter seu padrão de consumo”, afirmou Chacon.
Financiamento sem juros
A Selic não impacta tanto no uso do cartão de crédito, porque o brasileiro o utiliza para compras diárias e abusa do financiamento sem juros. “O consumidor está sabendo fazer o melhor uso do financiamento no Brasil”.
Para se ter uma idéia, o parcelado sem juros, que representava 46,6% do mercado de cartões em julho de 2006, passou a 50,4% em julho deste ano, tornando-se a alternativa mais usada pelos brasileiros, quando do uso do plástico.
E é por isso que, apesar de uma expectativa de um provável novo aumento da Selic pelo Banco Central, o setor continua otimista quanto ao uso do cartão de crédito pelo brasileiro.