Condições de vida

Alta da inflação e pandemia levam Classe C a maior endividamento e menor renda para planejar aposentadoria, indica pesquisa

Segundo a Consumoteca, 60% dos entrevistados possuem dívidas, dos quais 22% não conseguem pagá-las

Por  Mariana Zonta d'Ávila

O alto custo de vida em meio à pressão inflacionária, somado ainda a um cenário de crise econômica, em um ambiente de pandemia de Covid-19, tem dificultado ainda mais os objetivos dos brasileiros de poupar dinheiro no fim do mês.

E essa meta de ano novo tende a encontrar novos percalços nas dívidas, com a maior parte da população da Classe C endividada no país.

Segundo pesquisa “Não somos todos iguais: A classe C no mundo pós pandêmico”, da Consumoteca e encomendada pela 99Pay, uma renda mais baixa, insuficiente para pagar as contas mensais, somada ainda a grandes dívidas faz com que apenas 2% desse grupo consiga se organizar financeiramente para a aposentadoria.

O levantamento mostra que 60% da classe C retrocedeu sua renda nos últimos três anos e que mais da metade das famílias entrevistadas (55%) vive com uma média de até R$ 3 mil por mês, valor insuficiente para pagar as contas mensais e investir em uma reserva.

Outro fator que atrapalha os planos de aposentadoria são as dívidas: 45% das pessoas da Classe C têm o desafio de viver com o dinheiro contado para os gastos do mês, além de pagar parcelamentos de compras realizadas anteriormente.

Quando comparado com as Classes A e B, a primeira possui 23% de dívidas e parcelamentos. Já na Classe B, esse número salta para 35% e na Classe C chega a 38%. Entre os que não conseguem pagar por esses parcelamentos de dívidas, a Classe A fica com 5%, Classe B com 13% e a Classe C, com 22%.

Para onde vai o dinheiro

Entre os principais destinos da renda da Classe C, segundo a pesquisa, estão gastos da casa (56%), gastos do dia a dia (38%) e compras parceladas (35%). Importante frisar que a pergunta contava com múltiplas respostas, ou seja, uma pessoa podia responder mais de uma vez. Confira:

Dado que as famílias da Classe C gastam a maior parte da renda com bens de consumo, conquistar um objetivo financeiro mais caro frequentemente depende de crédito e flexibilidade de pagamento, por isso a grande fatia em compras parceladas, explica Marden Rodrigues, economista e educador financeiro da Barkus.

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“Não é à toa que tantos anúncios evidenciam mais o valor da parcela da compra do que o valor à vista. Um valor de parcela pequeno é um fator determinante para as decisões de consumo de milhões de brasileiros que estão na Classe C”, afirma.

A pesquisa da Consumoteca mostrou ainda que 28% da Classe C estão com nome negativado e que 60% dos entrevistados possuem dívidas, dos quais 22% não conseguem pagá-las.

Rodrigues afirma que existem muitos motivos para uma pessoa se endividar e perder a capacidade de honrar os compromissos, de forma que uma única “fórmula” não se aplicaria a todos igualmente.

Ainda assim, destaca, para aqueles em situação de inadimplência, vale acompanhar o site do Serasa Limpa Nome, onde credores podem fazer propostas de negociação com descontos de até 99%.

“Agora, enquanto isso não acontece, não deixe de levantar quais são seus principais gastos e quais são as fontes de renda disponíveis. Mesmo para quem está endividado, montar um simples orçamento doméstico é uma das melhores formas de entender por onde começar a resolver o problema”, diz.

Metodologia da pesquisa

Encomendada pela 99Pay, carteira digital da 99, a pesquisa foi realizada pelo Instituto Consumoteca em duas fases: uma quantitativa e outra, qualitativa.

A primeira delas foi realizada com 1,2 mil pessoas, de forma online, e aplicada com questões relacionadas ao dinheiro (dificuldades, grau de endividamento, satisfação com volume de crédito disponível, uso de meios de pagamento, etc.). O estudo foi analisado com técnicas estatísticas a fim de entender a Classe C e permitir fazer comparações. Dessa forma, o questionário também foi aplicado com as Classes A e B.

Com o objetivo de “identificar as dores” da Classe C, foi realizada uma segunda fase, visando um conhecimento mais profundo, com o preenchimento online de diários e entrevistas sobre como se relacionam com o dinheiro. Os participantes dessa segunda fase foram entrevistados individualmente.

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Com relação ao perfil dos participantes, 48% se declararam homens, 53% mulheres e menos de 1% não-binários. Já sobre o caráter de organização social/família, 51% se declararam casados, 7% separados, 42% solteiros, e 1% viúvos. A pesquisa foi realizada com participantes seguindo a distribuição de gênero e de estado civil da população brasileira sem foco em mães solo.

A Classe C representa hoje a maior fatia de usuários da 99. Segundo a companhia, o grupo contempla uma parcela significativa da população que não pôde realizar seus trabalhos remotamente, e que precisou sair de casa, buscando em carros por aplicativo uma alternativa para evitar outros meios de transporte, mais aglomerados, em meio à Covid-19.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são consideradas Classe C as famílias que possuem a soma dos rendimentos entre quatro e dez salários mínimos. Ou seja, com rendimentos acima de R$ 4.180, mas até R$ 10.450.

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