(AJUSTAR)Taxi clandestino: cuidados para não embarcar numa fria

Um taxista só pode rodar na cidade onde veículo foi registrado, fiscalização falha facilita ação dos "geladeiras"

Publicidade

SÃO PAULO – Apenas na cidade de São Paulo, existem mais de 3.000 táxis irregulares, que ou não possuem licença para trabalhar no ramo, ou são de outras cidades, e desse modo não podem atuar na capital paulista. E a vítima maior é o passageiro, que dificilmente tem meios para descobrir se um táxi é “geladeira”, como são chamados os veículos frios.

O principal perigo de entrar num táxi clandestino é o risco de ser enganado, sobretudo na cobrança da viagem. Os locais mais visados pelos motoristas irregulares são os bares e pontos de badalação noturna, já que durante a noite, a fiscalização é mais difícil de ser realizada.

Segundo o taxista Otoniel da Costa, os geladeiras têm carros mais velhos, cujo ano de fabricação não passa de 1995. “Como os veículos são apreendidos durante uma blitz, esses motoristas preferem carros mais baratos como Gol, Santana e Palio”. Os aeroportos e rodoviárias também são grandes alvos dos motoristas ilegais, e nesses casos há um esquema de corrupção relacionado com a fiscalização.

Veículos de outros municípios

Antes de entrar num táxi, o passageiro deve observar primeiramente a origem do automóvel, olhando a placa. Lembre-se que nenhum taxista pode trabalhar numa cidade que não seja a sua de origem. Desse modo, um motorista do município de Taboão da Serra não tem autorização para permanecer num ponto em São Paulo.

Aliás, muitos taxistas da grande São Paulo têm procurado passageiros na capital, especialmente pela grande demanda do mercado paulistano. Mas a fiscalização é falha. “Ainda é bastante fraca. Não está como deve ser”, reclama Otoniel. Para ele fiscalizar é uma coisa muito simples, que não requer muito trabalho da prefeitura. “No último ano, só fui fiscalizado uma vez, aqui no meu ponto”.

Uma forma de descobrir se um táxi é irregular é pedindo um recibo após a viagem e conferindo com a placa do veículo. Se ele for clandestino, os números claramente não irão bater. As placas mais comuns em táxis começam com CGR ou com CDL. Se as letras forem diferentes destas, desconfie.

Continua depois da publicidade

Mas a placa não é um diferencial tão eficiente, uma vez que ninguém confere isso o tempo todo. De acordo com o taxista Jurandir Rodrigues, só é possível saber se um táxi é clandestino com uma blitz minuciosa.

Revolta com a fiscalização

A maioria dos taxistas regulares está insatisfeita com a atual administração municipal. “Para eles, táxi é coisa de luxo. E acham que luxo tem que cobrar caro”, diz Jurandir. “Ao invés de ir atrás do clandestino, eles perseguem o motorista que é legal”. Além disso, eles reclamam da corrupção na fiscalização.

No Aeroporto Internacional de Guarulhos, é complicado até para deixarem o passageiro. Depois que ele desembarcou, muitos motoristas são obrigados a deixar o local, enquanto outros permanecem estacionados em frente à polícia.

Taxímetro

Geralmente funciona bastante ficar atento ao taxímetro. A regra é que ele aumente de R$ 0,20 em R$ 0,25. Se estiver aumentando numa proporção maior, cuidado, o taxímetro é “turbinado” e você está sendo roubado. O preço mínimo de uma corrida em São Paulo é R$ 4,00, e a cobrança seguinte é feita por hora e por quilometragem, na qual o quilômetro rodado custa R$ 3,20.

Até um tempo atrás, os “geladeiras” tinham como hábito deixar o taxímetro num local pouco visível. A partir de janeiro de 2002, foram obrigados a se regularizar, colocando o aparelho na parte de cima do painel do carro. Os táxis irregulares passaram a modificar esse costume com o objetivo de parecer o mais legal possível.

É comum que os clandestinos não utilizem o taxímetro durante uma viagem. “Outro dia, quando estava conversando com um passageiro, ele me contou que tinha ido até a Av. Paulista, e pagado R$ 30,00”, declara Rubens Moura, taxista da região do Brooklin em São Paulo. “O preço foi acertado antes dele entrar no carro. Se fosse usado o taxímetro, o valor seria entre R$ 18,00 e R$ 20,00”.

Continua depois da publicidade

Curso para taxista

Para adquirir uma licença de taxista, é necessário fazer um curso de 40 horas, divididas em 10 dias. Durante as aulas, o motorista aprende sobre honestidade, direção defensiva, primeiros socorros e direitos do consumidor. Segundo Rubens, os motoristas irregulares não fazem esse curso, não têm o costume de conservar bem o veículo, tratam mal os clientes.

Portanto, fique atento a esses detalhes para que você não saia perdendo quando tiver que usar o serviço de táxi. Na verdade, o maior problema está relacionado às possíveis cobranças acima do preço justo. Você estará pagando mais do que deveria. Desse modo, vale a pena seguir esses conselhos para evitar que uma corrida até o aeroporto não pese tanto no seu bolso.