Turismo na pandemia

Adeus, Mickey? Destinos nacionais ganham força com restrições no exterior

Destinos domésticos ganham relevância no turismo mundial durante a pandemia; veja os cuidados ao voltar a planejar férias

Turismo na pandemia, mala de viagem com máscara
(zoff-photo/GettyImages)

SÃO PAULO – O relaxamento da quarentena em boa parte do país, junto com a chegada do mês de julho, começa a levar muitos brasileiros a retomar os planos de viagem. Gol, Azul e Latam, além de companhias estrangeiras, continuam a ampliar gradualmente o número de rotas domésticas e internacionais.

Mas julho promete ser um mês de férias atípico. Em vez da Disney, de capitais europeias, de países da América do Sul ou até mesmo de praias do Nordeste, muitos brasileiros passaram a priorizar os chamados destinos regionais.

É o que revelam empresas do setor com base em consultas com os clientes.

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“As pessoas que viajariam a lazer e que adiaram suas férias neste ano por causa da pandemia tendem a puxar esse fluxo, viajando primeiramente para destinos próximos de suas residências”, afirma Emerson Belan, diretor geral da CVC, a maior empresa de turismo do país, com estimados R$ 17 bilhões em reservas em 2019.

É uma tendência que também foi captada pela Booking.com, uma das maiores empresas de e-commerce de turismo no mundo. Todo ano, a companhia monta uma lista com as viagens mais desejadas pelos usuários no mundo. Neste ano, a pesquisa realizada em março e abril, meses iniciais da pandemia no Brasil, revelou que 51% das pessoas queriam viajar para destinos nacionais. Um ano antes, eram 33%.

“A pesquisa mostra que os brasileiros já pensavam em viagens domésticas antes que a situação piorasse. E não era necessariamente alguém do Sudeste pensando em ir para o Nordeste. O destino podia ser o interior do estado em que a pessoa mora”, diz Luiz Cegato, gerente de Comunicação do Booking.com para a América Latina.

Na CVC, nesta época do ano e com a pandemia, destinos de inverno como Campos do Jordão (SP), Monte Verde (MG) e Gramado (RS) estão à frente da preferência. “As viagens que o cliente pode fazer com o seu próprio carro ou alugado, ou veículo privativo para traslado, são tendências para o novo normal”, diz Belan.

Em Campos do Jordão, a volta do turismo só foi possível com o aval da prefeitura para que os hotéis pudessem reabrir em junho, depois de mais de dois meses fechados. Até então, barreiras sanitárias barravam o turista sem casa na cidade. Mas a ocupação está limitada a 40% da capacidade de hospedagem, de forma preventiva.

Rua e a arquitetura da cidade de Gramado, no pôr do sol - Gramado, Rio Grande do Sul, Brasil
(diegograndi/GettyImages) Cidade de Gramado, Rio Grande do Sul, no pôr do sol

Barrado no exterior

O turismo doméstico também será favorecido pelas restrições à entrada de brasileiros nos seus destinos internacionais preferidos, caso de União Europeia (Itália, Espanha e Portugal estão entre os países mais visitados), Estados Unidos, Argentina e Chile. Isso se deve ao fato de o Brasil ter se tornado um dos epicentros da pandemia.

Mas não se trata de um fenômeno brasileiro, segundo Cegato. “Destinos domésticos terão um peso relevante na retomada do turismo mundial por causa das restrições a viagens em diferentes países, na medida em que a redução do número de casos de Covid-19 tem sido muito heterogêneo”, diz o executivo do Booking.com.

Tanto para a Europa, como para os EUA e o Chile, não há previsão de liberação para brasileiros. A Argentina fixou setembro como data para a retomada de voos internacionais com estrangeiros. Em todos os casos, o sinal verde para brasileiros vai depender do controle da pandemia no país ou do relaxamento das exigências.

Uma exceção pode ser aberta para quem possui cidadania de países da União Europeia, mas será preciso checar caso a caso. De todo modo, será necessário cumprir uma quarentena de 14 dias fora do Brasil, em local fora da zona de risco.

Para quem não abre mão da viagem para fora do país ou já pretende se programar para o fim de ano, por exemplo, será fundamental se precaver para evitar prejuízos. “Será cada vez mais importante para o turista ler atentamente as políticas de cancelamento e buscar tarifas flexíveis que permitam alterações sem multa”, afirma Cegato.

Parques temáticos

Destinos com diversão também podem puxar a retomada gradual. Que o diga o Beto Carrero World. O parque temático em Penha (Santa Catarina) reabriu para o público no último dia 11, depois de três meses fechado, com capacidade reduzida pela metade, filas virtuais para os brinquedos e sem atrações em ambiente fechado.

Fotos de arquibancadas cheias para os shows, mesmo com assentos desocupados entre as pessoas, viralizaram na internet. O parque afirmou que segue as normas de segurança do estado e que os shows estão limitados a 30% da capacidade habitual.

Esse patamar sugere indicar o novo normal, por ora, de parques temáticos. Em Orlando (EUA), os parques da Universal Studios – como o do Harry Potter – reabriram há quase um mês, no dia 5 de junho. Estimativas apontam que o público tem sido equivalente a 20% do que havia registrado no mesmo período do ano passado.

Os parques da Disney em Orlando – começando pelo Magic Kingdom e pelo Animal Kingdom – reabrem a partir do próximo dia 11, sem anúncio ainda da nova capacidade. Na Disney em Xangai, na China, a reabertura aconteceu com 20% do total. Mas, para os brasileiros, as alternativas disponíveis estão bem mais próximas neste ano.

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