ACSP discute agilidade nos registros de cheques sem fundos

O motivo é simples: enquanto o cheque é reapresentado e processado no BC, devedor pode continuar emitindo mais folhas

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SÃO PAULO – Com o crescente aumento da emissão de cheques sem fundo nos últimos meses, membros do Conselho Consultivo do Serviço de Proteção ao Crédito (SCPC), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) reuniram-se na última quarta-feira (14) para discutir medidas de proteção ao crédito.

Falta agilidade para conter devedores

Para o superintendente de economia da ACSP, Marcel Solimeo, se os processos de inclusão fossem mais ágeis não haveriam tantos cheques devolvidos. O executivo destaca que “cada inadimplente registrado no banco de dados tem, em média, 12 cheques devolvidos”.

Este elevado nível é explicado pelo lento processo de inclusão, pois até que o cheque seja reapresentado duas vezes, ele ainda passa pelo Banco Central e por uma série de processos, demora que chega a cerca de um mês. “Nesse meio tempo, a pessoa pode continuar emitindo novas folhas”, analisa Solimeo.

Ainda de acordo com o economista, uma possível solução para diminuir a emissão dos cheques seria a integração de ferramentas como o UseScore, da ACSP. Isso porque registros mostram que 64% dos CPFs inclusos negativamente no UseCheque passaram antes pelo SPC.

Inadimplência em números

De acordo com dados da central Usecheque/ACSP, baseados nos registros no Banco Central, somente no mês de agosto foram emitidos 3,2 milhões de cheques sem fundos contra os 2,8 milhões anotados 12 meses antes, denotando alta de 14,6%. Na comparação com o mês de julho, houve elevação de 2,02%.

Já os números de exclusão de cheques sem fundos dos cadastros restritivos de crédito mostram que os consumidores encontram dificuldades em reabilitar crédito no mercado. Em 2004 foram 2,4 milhões de cheques excluídos. Em agosto deste ano os dados apresentaram alta de 12,10%, chegando a 2,7 milhões, ainda assim, em um ritmo mais lento quando se compara às inclusões.