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SÃO PAULO – Os principais representantes dos comerciantes do Estado de São Paulo parecem não concordar quanto ao impacto do aumento da taxa básica de juros da economia, a Selic, no custo dos créditos ao consumidor. Nesta segunda-feira, em reunião extraordinária do Banco Central, a Selic foi aumentada em três pontos percentuais para 21% ao ano.
Juros tendem a subir mais rápido do que caem
Se considerarmos a tendência registrada no passado, o mais provável é que algum tipo de repasse seja feito, e que os juros ao consumidor subam. Esta afirmação se baseia no fato de que, em geral, a postura com relação a juros é bastante conservadora, com cortes nos juros demorando para serem repassados ao consumidor, e aumentos sendo rapidamente repassados.
Ilustrando esta tendência pode-se verificar que, apesar da Selic ter baixado um ponto entre janeiro e setembro, caindo de 19% para 18% ao ano, o levantamento da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) aponta para um aumento, no mesmo período, dos juros médios cobrados nos financiamentos ao consumo. Em setembro os juros médios estavam em 8,18% ao mês frente a 8,03% de janeiro.
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Fecomércio e ACSP divergem
No que se refere aos juros cobrados nos crediários, contudo, ainda não existe consenso. O economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), Fábio Pina, acredita que os comerciantes devem subir quase que automaticamente os juros, assim que os bancos soltarem suas novas tabelas, o que poderia acontecer ainda nesta semana.
Por outro lado, o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri, não acredita nesta hipótese. Para ele diante do fraco volume de vendas o mais provável é que os comerciantes aguardem até depois das eleições, isto é, pelo menos duas semanas, antes de rever o patamar dos juros cobrados nos crediários. Para Alfieri, a mudança de governo pode implicar em uma alteração na política de juros de forma que tomar uma decisão agora sobre os juros a serem cobrados pode acabar sendo precipitado.
Pina discorda argumentando que a decisão sobre os juros a serem cobrados pelos comerciantes deve se basear não nas eleições, mas sim no custo do dinheiro para estes comerciantes. O economista não acredita que os bancos deixem de aumentar os juros, devido a uma possível vitória da oposição nas eleições.