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SÃO PAULO – As ações da Redecard (RDCD3) voltaram a ser destaque positivo no pregão desta quarta-feira (8), estendendo a valorização apresentada na véspera, depois que o Itaú Unibanco (ITUB4) anunciou uma OPA (oferta pública de aquisição) pela participação que lhe resta na empresa.
Os papéis apresentaram alta de 2,82%, aos R$ 36,40, liderando os ganhos do benchmark da bolsa brasileira. Na máxima do dia, os ativos RDCD3 chegaram a valer R$ 36,74, uma valorização de 3,79% frente ao fechamento anterior. O Ibovespa, por sua vez, recuou 0,13%, aos 65.831 pontos.
O giro financeiro dos ativos RDCD3 também foi bastante expressivo na sessão, com volume total de R$ 575,29 milhões, bem acima da média observada nos últimos 21 dias, de R$ 127,52 milhões.
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Oferta insuficiente?
O movimento positivo mostra que a decisão do banco pode encontrar resistência entre os acionistas minoritários da companhia. A oferta divulgada foi de R$ 35 por cada ativo RDCD3 restante, o que pode fazer a operação chegar aos R$ 11,8 bilhões. No entanto, alguns analistas estimam que esse valor poderia ser maior.
Paulo Ribeiro, do HSBC, diz que o acordo para adicionar as transações feitas com a Hipercard, também do Itaú, poderia aumentar os volumes de utilização dos cartões de crédito em aproximadamente 10%, o que elevaria o preço-alvo do papel para R$ 41. “Acreditamos que o Itaú vê mais valor na Redecard do que o mercado está precificando”, avalia.
O Bank of America Merrill Lynch, por sua vez, afirma que o preço das ações tem potencial para atingir até R$ 40. O relatório leva em conta os potenciais de crescimento dos resultados da Redecard, a capacidade de pagamento de dividendos da companhia, e os benefícios fiscais que podem ser ganhos com uma decisão regulatória pendente.
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Para efeito de comparação, os analistas Jorg Friedemann, Thiago Mendes, Jose Barria e Marcus Fadul citam o caso da Telefônica Brasil (VIVT4). Na época, a empresa controlava tanto a Vivo como a Telesp e, para incorporar os papéis da primeira, a segunda ofereceu um preço acima do real valor dos ativos, ao reconhecer o lado positivo do alívio com impostos – que demorou seis meses para ser capturado.
Aprovação dos minoritários
Para que a OPA realmente seja realizada, é necessária a realização de uma assembleia geral extraordinária, na qual 67% dos acionistas que detém os ativos em circulação no mercado têm que aprovar o preço oferecido pelo Itaú. Além disso, o crivo da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) também é necessário.
Nataniel Cezimbra, do BB Investimentos, afirma que, pela visão dos minoritários, o valor pode mesmo ser baixo. Ele ainda lembra que, no últimos 12 meses, o avanço das ações foi de mais de 76%. “Achamos que o valor oferecido é justo, acima da cotação no dia do anúncio e também da média de preço-alvo das corretoras”, disse Roberto Setubal, presidente-executivo do banco.