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Abrange é contra inclusão de fornecimento de remédios nos planos de saúde

Inclusão de novos serviços só serviria para aumentar os custos; Fenaseg defende a criação de planos específicos

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SÃO PAULO – Um dos itens que mais pesa no orçamento de qualquer família são, sem dúvida, os gastos com saúde, aqui incluídos não só os gastos com planos de saúde, mas também aqueles com medicamentos. É bem verdade que a introdução dos genéricos veio contribuir para uma ligeira redução dos gastos com medicamentos, mas ainda assim o preço dos remédios é bastante elevado para a maioria da população.

A idéia da criação de um plano específico voltado apenas para o fornecimento de remédios já chegou, inclusive, a ser cogitada no antigo governo, exatamente diante da preocupação do alto custo dos medicamentos no país. Por sua vez, o atual ministro da saúde, Humberto Costa, defende a inclusão do fornecimento de remédios nos planos de saúde vendidos no mercado, como forma de resolver a situação.

Abrange critica sugestão

Contudo, a sugestão do atual ministro não foi bem recebida pelo presidente da Abrange (Associação Brasileira de Medicina de Grupo), Arlindo de Almeida. Para Almeida, a inclusão de novos serviços nos planos já existentes deve aumentar os custos, que serão automaticamente repassados para os consumidores. Atualmente, a Abrange responde por 18,4% dos usuários de planos de medicina suplementar do país, o que equivale à cerca de 7,6 milhões de pessoas.

Segundo o presidente da Abrange um dos maiores problemas do setor é o fato de que as operadoras de planos de saúde estimaram seus custos e conseqüentemente estabeleceram seus preços com base em premissas que não são mais válidas, pois foram forçados a incluir outras coberturas não previstas, como a de doenças pré-existentes, por exemplo.

A legislação vigente obriga as operadoras a aceitar consumidores com doenças pré-existentes, mas para Almeida seria necessário impor um período de carência mínimo, caso contrário, as empresas não têm como arcar com os custos sem repassá-los ao consumidor. Assim, a inclusão de novos serviços só serviria para piorar ainda mais a situação.

Fenaseg defende separação de políticas

Da mesma forma, o diretor de saúde da Fenaseg (Federação das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização), João Amoroso Lima, acredita que a política de assistência farmacêutica deve ser separada daquela de medicina suplementar. Para Lima o mais correto seria a criação de um plano específico para este tipo de cobertura, como já acontece com os planos de assistência odontológica.

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Lima também lembra que seria possível incentivar as empresas a oferecer este benefício aos seus funcionários, através de políticas de incentivo fiscal, como já acontece com o vale-transporte. A Fenaseg representa seguradoras que juntas contam com cerca de 5,2 milhões de clientes no país.

Lima concorda que um dos maiores problemas do setor seja a política de reajuste de preços imposta pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) em que o reajuste anual acaba sendo o mesmo para todas as operadoras e não de acordo com o perfil da empresa.

Lima também é contra a realização de novos fóruns para discutir o assunto, pois todos já sabem quais são os principais problemas que afetam o setor, o que é preciso é resolver estas pendências, e o local certo para isto é a Câmara de Saúde Suplementar, onde o governo é representado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).