Publicidade
A expectativa da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) sobre o financiamento imobiliário é de otimismo, com uma “expectativa de um crescimento considerável, mas muito atrelado a expectativa de baixa nos juros”, segundo Priscilla Ciolli, presidente da associação.
O otimismo da associação foi explicado pela expectativa de corte na Selic, hoje em 15%, para 12,25% até o fim do ano, que dará suporte a cortes nas taxas do financiamento imobiliário não subsidiado, isto é, alimentado com recursos que não o FGTS.
Segundo Ciolli, a expectativa positiva para 2026 também é alimentada pela liberação do compulsório, de aproximadamente R$ 38 bilhões, que foi fundamental para um ganho de fôlego. “Contudo, essa proposta depende mais de recursos livres do que subsidiados, ou seja, depende muito de queda de taxa de juros, se não não o mercado não será capaz de operar com juros abaixo de 12%, que é o teto estipulado pela nova política habitacional”, explicou.
Continua depois da publicidade
Leia mais: Ano novo, casa nova: primeiro tri concentra melhor época para vender e alugar imóveis
A Abecip estima aumento de 16% nas concessões do financiamento imobiliário em 2026, para R$ 375 bilhões — os fundings via poupança (SBPE) devem crescer 15%, a R$ 180 bilhões; os recursos via FGTS, terão alta de 5%, para R$ 145 bilhões; e os recursos livres devem disparar 66%, para R$ 51 bilhões.
2025
Na visão da Abecip, o setor conseguiu reverter a expectativa negativa que havia no início de 2025, apoiado no mercado de trabalho aquecido, no crescimento do rendimento médio mensal do brasileiro e no bom desempenho dos financiamentos com FGTS –menos impactados pela Selic por terem taxas de juros definidas – mas ainda sofrendo com o acesso ao crédito limitado, sobretudo para a classe média.
Em 2025, as concessões de financiamento imobiliário cresceram 3% em relação a 2024, para R$ 324 bilhões. Os financiamentos com recurso de poupança caíram 13% no período, a para R$ 156 bilhões, enquanto as concessões via FGTS e funding livre subiram, respectivamente, 9% e 246%.
Leia mais: CIB: como o “CPF dos imóveis” pode elevar o custo do IPTU, ITBI e ITD? Veja exemplos
“A poupança naturalmente perde atratividade em períodos de altas taxas de juros, mas também há uma característica cultural: a população mais jovem tem preferido outros investimentos. Além disso, há muitos novos entrantes no setor financeiro que não trabalham com poupança”, explicou Ciolli, em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (27), em São Paulo.
Continua depois da publicidade
Ela ainda avaliou que, em 2025, o setor “cresceu, mas muito menos do que poderia ter crescido com juros mais baixos”.