Golpes com Pix: 22% das vítimas acumulam prejuízos financeiros; veja como reaver dinheiro

78% das vítimas, segundo pesquisa da Silverguard, caíram mais de uma vez em alguma fraude

Giovanna Sutto

(Fonte: Pixabay/Mohamed_hassan)
(Fonte: Pixabay/Mohamed_hassan)

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Quatro em cada dez brasileiros foram vítimas de alguma tentativa de fraude ao usar Pix e, desse grupo, 22% caíram efetivamente em fraudes e sofreram prejuízos, segundo estudo divulgado na terça-feira (5) pela fintech de proteção financeira Silverguard.

Outro dado, que compõe o estudo, mostra que 78% das vítimas caíram mais de uma vez em algum golpe envolvendo o Pix.

A pesquisa foi feita, a partir de questionário online, com 1.910 pessoas (entre junho e julho de 2023) e com base nos dados do Banco Central e de 5 mil denúncias de usuários sobre golpes no site da empresa (coletadas entre maio e julho de 2023).

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Do total de participantes da pesquisa:

Considerando toda a base da pesquisa, o número de vítimas cai para 9%, sendo as classes D/E as mais afetadas (16%).

Apesar da relação entre Pix e golpes, nesta semana, o Banco Central defendeu que o Pix é seguro e que o índice de fraudes relacionados ao sistema atingiu 0,007% das transações realizadas entre dezembro de 2021 e junho de 2023.

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Entre as fraudes mais comuns, o estudo da Silverguard destaca:

Entre os mais jovens (18-29 anos) o golpe mais comum é o Golpe da Falsa Oportunidade de Investir ou Multiplicar dinheiro (35%). Entre as vítimas 60+ é o Golpe do Falso Parente pedindo dinheiro (30%).

O prejuízo médio das vítimas de golpes é cerca de 8 vezes maior no grupo que tem mais de 60 anos na comparação com o entre 18 e 39 anos. Veja:

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(Reprodução/Silverguard)

Como reaver dinheiro perdido em golpes?

O estudo também mostra que 1,7 milhão de pessoas em 2022 fizeram solicitações por suspeita de fraude ao MED (Mecanismo Especial de Devolução), lançado pelo Banco Central no final de 2021 com o objetivo de tornar o Pix mais seguro e facilitar, principalmente, que vítimas de golpes financeiros recebam seu dinheiro de volta.

De acordo com os dados obtidos do Banco Central, via Lei de Acesso à Informação, 97% das solicitações de devolução criadas no MED foram por suspeita de fraude.

O MED permite que:

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No caso de Pix feito por engano, o MED não pode ser utilizado pelo consumidor ou acionado pelo gerente da agência bancária física.

“O MED representa uma inovação na busca por deixar as transações via Pix cada vez mais seguras. O desafio agora é fazer com que a informação chegue nas pessoas e elas conheçam o mecanismo o quanto antes”, afirma Marcia Netto, CEO da Silverguard.

O estudo mostra que foram solicitados, via MED, R$ 3,1 bilhões por perda por fraudes em 2022 e, segundo a executiva da Silverguard, essa cifra poderia ser cerca de quatro vezes maior, “devido à subnotificação decorrente do desconhecimento do MED e à desistência de reportar golpes com valores menores por grande parte das vítimas.”

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Além disso, apenas 6% do valor das solicitações do MED foram devolvidas, segundo o estudo. Das devoluções aceitas, apenas 35% foram realizadas na totalidade, ou seja, “duas em cada três devoluções são parciais e geralmente com valores ínfimos”, diz a CEO. Assim, em 2022, apenas 6% dos R$3,1 bi de solicitações do MED foram devolvidos.

O problema, no entanto, é o desconhecimento do mecanismo que pode ajudar muitas pessoas a recuperarem o dinheiro. O estudo diz que 9 em cada 10 brasileiros não sabem o que é ou como funciona o MED. Mesmo quem já sofreu algum golpe com Pix não conhece o MED, evidenciando falhas de conhecimento e de comunicação sobre o assunto nas instituições financeiras.

A recomendação da empresa de segurança financeira é direta: “o primeiro passo, na corrida para tentar reaver o dinheiro de um golpe com Pix, é entrar em contato por telefone (ou app) com o banco de origem e acionar o MED – antes de qualquer outra ação, inclusive antes do Boletim de Ocorrência (B.O.)”, diz a CEO.

Giovanna Sutto

Repórter de Finanças do InfoMoney. Escreve matérias finanças pessoais, meios de pagamentos, carreira e economia. Formada pela Cásper Líbero com pós-graduação pelo Ibmec.