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A entrada do 13º salário deve reforçar o caixa do varejo tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro neste fim de ano, injetando cerca de R$ 39 bilhões nas duas economias. O alto endividamento das famílias somado ao custo elevado do crédito, no entanto, podem frear o movimento de alta, conforme previsões dos sindicatos de lojistas.
Em São Paulo, o Sindicato dos Lojistas do Comércio de São Paulo (Sindilojas-SP) estima que até R$ 30,8 bilhões entrem na economia da capital com o pagamento das duas parcelas do 13º, um avanço de 6,3% em relação ao observado em 2024. O valor considera apenas os mais de 5 milhões de trabalhadores com carteira assinada, deixando de fora aposentados e pensionistas, que já podem ter recebido antecipações do benefício no primeiro semestre.
Segundo Aldo Nuñez Macri, presidente do Sindilojas-SP, o 13º desempenha papel duplo: ajuda no reequilíbrio financeiro das famílias e movimenta o varejo em um dos períodos mais importantes do ano. “O 13º permite ao trabalhador organizar as contas, quitar dívidas e ainda impulsionar o comércio”, afirma.
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Pressão
A pressão do endividamento, no entanto, tende a direcionar boa parte dos recursos para o pagamento de contas. A Fecomercio-SP aponta que 72,7% das famílias paulistanas estavam endividadas em setembro de 2025, o maior nível desde junho de 2023. Mesmo nesse cenário, o varejo deve registrar impacto positivo: em dezembro de 2024, o faturamento cresceu 20%, puxado por setores como vestuário (+76%) e eletroeletrônicos (+33,4%).
Macri lembra que o aumento do faturamento não significa, necessariamente, maior lucratividade. “O varejo enfrenta custos elevados no fim do ano, como horários estendidos e o pagamento do próprio 13º aos colaboradores. É preciso cautela na interpretação dos números”, afirma. Ele também reforça que o consumo segue limitado por juros altos e preços pressionados, fatores que impedem uma recuperação mais acelerada do setor.
Fragilidade carioca
No Rio de Janeiro, a perspectiva é semelhante, mas partindo de uma base mais fragilizada. Estudo do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio) e do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (SindilojasRio), com base nas informações da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) e do Novo Caged, estima que a segunda parcela do 13º deve injetar mais de R$ 8,5 bilhões na economia fluminense. Isso pode ajudar a reverter parte das perdas acumuladas ao longo do ano. A expectativa é que as vendas de dezembro cresçam cerca de 5%, impulsionadas pelo Natal.
Para Aldo Gonçalves, presidente das duas entidades, a chegada da renda extra pode atenuar um ano difícil para o varejo carioca. Ele destaca que, apesar das promoções e das condições especiais de pagamento oferecidas pelos lojistas, datas importantes como o Dia dos Pais tiveram desempenho abaixo do esperado. “O comércio do Rio não encontrou condições para crescer como em outras regiões do país”, afirma.
Nos nove primeiros meses de 2025, as vendas do varejo fluminense caíram 2,1%, enquanto o Brasil registrou alta de 1,5%. Gonçalves também apontou o peso do endividamento: 88,7% das famílias do Estado estavam endividadas em outubro, consequência direta dos juros elevados. A situação preocupa especialmente os segmentos que dependem de crédito, como móveis, eletrodomésticos e eletrônicos.
Mesmo sob esse cenário, a chegada do 13º cria uma janela de oportunidade para o comércio carioca. “O consumidor está com o décimo terceiro no bolso, e o varejo precisa oferecer produtos atrativos para capturar esse momento”, diz Gonçalves.
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Assim como ocorre em São Paulo, parte relevante do 13º no Rio deve ser direcionada ao pagamento de dívidas, mas ainda assim há expectativa de melhora pontual nas vendas de fim de ano. Porém, com maior cautela por parte dos consumidores.