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Crise na Europa

Zona do euro é um problema que virou dilema, avalia gestor da Pimco

Após sensação de que o pior já passou no bloco com atuação do BCE, problema político passa a ser nova questão para tomada de medidas pela autoridade monetária

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SÃO PAULO – Mesmo com a sensação de que o “pior já passou” na zona do euro, o cenário ainda é bastante desafiador para o bloco econômico, de acordo com o CEO (Chief Executive Officer) da Pimco, Mohamed El-Erian, maior gestora de renda fixa do mundo. De acordo com o gestor, o que era antes um problema, agora passa a ser um dilema; isso porque, enquanto o primeiro pode ser solucionado, o segundo deve ser constantemente administrado.

El-Erian avalia que, há seis meses, o estresse com relação ao sistema financeiro europeu levaram a questões existenciais sobre a permanência da moeda única. Com o sistema financeiro se fragmentando, os depósitos foram saindo dos países mais frágeis e os juros altos se traduziram em mais dor de cabeça para países endividados, além de causarem problemas na liquidez.

Neste sentido, afirma o gestor, o BCE (Banco Central Europeu) atuou de maneira bastante forte, através da OMT (Transações Monetárias Diretas) – programa de compra de títulos na União Europeia que ajudou a melhorar as condições dos países pertencentes ao bloco – além de integrar a união monetária e fiscal das nações. 

Tendo resolvido o problema mais urgente, a zona do euro precisa lidar com um novo dilema: a de uma moeda valorizada, afirma El-Erian. De fato, nos últimos seis meses, o euro se valorizou 11% frente ao dólar e 8% em termos comerciais ponderados. Dessa forma, atualmente, diversos países do bloco procuram enfraquecer a moeda, para aumentar a competitividade de seus produtos no cenário internacional. 

Zona do euro não pode arcar com moeda forte
“Com o crescimento já lento do bloco, a zona do euro não pode mais arcar com uma moeda forte”, avalia El-Erian. Se, por um lado, a forte valorização prejudica a atividade econômica – não só para as exportadoras em potencial como a Alemanha, mas também para a Espanha, com as exportações líquidas tendo uma contribuição positiva nos últimos oito trimestres.

Com as preocupações orçamentárias ainda dominando a pauta econômica, poucos países estão capazes a estimular a economia, com o afrouxamento das políticas fiscais. Como resultado, o número de cidadãos desempregados continua a ser alarmante, especialmente entre os jovens.

Assim, a zona do euro deve adotar as políticas que outros países estão fazendo ao redor do mundo se quiserem manter a competitividade de uma forma segura e organizada, avalia El-Erian. No nível regional, o aumento da produtividade e as reformas estruturais devem acompanhar um impulso renovado sobre a união fiscal, bancária e integração política. 

BCE atuará mais uma vez?
Entretanto, essas mudanças esbarram na questão política, avalia o gestor. “Depois de ter evitado um problema financeiro, os políticos parecem mais interessados em aquecer o seu sucesso do que lidar com os desafios remanescentes”, afirma. Assim, El-Erian aponta que o desejo de “saborear o momento” e a ilusão da estabilidade é inevitavelmente forte, ainda mais em meio as várias eleições importantes neste ano.

Para El-Erian, uma vez que os políticos não vão querer atuar diretamente para resolver os problemas econômicos, o BCE será mais uma vez acionado. Dentre as medidas esperadas pela autoridade monetária, estão a desvalorização da moeda, o corte na taxa de juros e a flexibilização monetária perseguida pelo Banco da Inglaterra, do Japão e do Federal Reserve.

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Contudo, o BCE não deve atuar de uma forma tão tranquila, aponta. Caso a autoridade monetária tente atuar de forma para fazer o impossível, os riscos de uma guerra cambial e possíveis questões como conflitos entre os vizinhos pode aumentar significativamente.