Dona do BK no caminho certo, SBF com trimestre para esquecer e visões mistas para Caixa Seguridade: os resultados em destaque

Expansão de quase 2,5 pontos percentuais na margem bruta foi destaque positivo, impulsionada por sólidas vendas mesmas lojas

Felipe Moreira | Lara Rizério | Mitchel Diniz

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A temporada de resultados do quarto trimestre de 2022 (4T22) encerrou a semana com a divulgação dos números de empresas do setor de consumo, além de empresas de energia e seguradoras.

A ZAMP (ZAMP3), dona do Burger King, foi vista como destaque entre as empresas de consumo, com uma recuperação a caminho de maior crescimento e lucratividade. Já a SBF (SBFG3), dona da Centauro, teve um resultado negativo.

O balanço de Alupar (ALUP11) foi visto como neutro, enquanto houve diferentes visões para os resultados de Caixa Seguridade (CXSE3).

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Confira os destaques dos resultados:

ZAMP (ZAMP3) no caminho certo 

A ZAMP (ZAMP3), dona do Burger King, divulgou seus resultados referentes ao quarto trimestre de 2022 (4T22) na noite da última quinta-feira (2), com  lucro líquido de R$ 42 milhões no quarto trimestre de 2022 (4T22), montante 78% superior ao reportado no mesmo intervalo de 2021.

No ano de 2022, o resultado foi de um prejuízo líquido de R$ 55,8 milhões, uma melhora de R$ 218 milhões na comparação com o ano de 2021.

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Analistas do BBI ressaltaram que a ZAMP conseguiu se recuperar de uma frágil posição de balanço no quarto trimestre de 2021 (4T21) para um caminho de maior crescimento e lucratividade.

O BBI foi positivamente surpreendido pela gestão bem-sucedida da alta de preços dos alimentos, que levou a uma expansão de quase 2,5 pontos percentuais (p.p.) na margem bruta em relação ao ano anterior.

Por outro lado, o principal ponto negativo foi o baixo desempenho das vendas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) em comparação com desempenho do rival McDonald’s no 4T22.

Diante disso, Bradesco BBI prefere esperar uma melhora mais consistente da margem bruta e uma maior diluição das despesas antes de tornar o nome mais positivo. O BBI manteve classificação de neutra para ações da companhia.

Já o Morgan Stanley destacou o forte crescimento das receitas da ZAMP no quarto trimestre, impulsionadas por SSS sólido e aberturas aceleradas.

A empresa abriu 26 lojas no trimestre, fechando o ano com 990 unidades (+4,8% versus 4T21), um pouco abaixo das estimativas do Morgan e consenso. Na visão de analistas, embora esteja desacelerando em relação aos trimestres anteriores, o 4T22 apresentou fortes números de vendas, apesar da Copa do Mundo, que historicamente é negativa para o tráfego, especialmente para shoppings.

A Zamp registrou margem bruta recorde novamente, graças a “melhora da gestão de receita, redução de descontos, em um ambiente de vendas melhor e se beneficiando de iniciativas de vendas e sourcing que conseguiram mitigar a pressão da inflação de alimentos e um cenário macro complexo”, comenta Morgan Stanley.

O Itaú BBA, por sua vez, classificou os números da dona do Burger King como positivos, com destaque para o Ebitda e lucro por ação pré-IFRS 16 no 4T22 melhores do que o esperado, em grande parte devido à margem bruta muito mais forte do que o previsto. Apesar disso, o crescimento das vendas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) do Burger King foi inferior ao do McDonalds.

Com relação a aberturas de lojas, analistas do BBA apontaram que a rede Burger King encerrou 2022 com 927 restaurantes, em linha com suas expectativas. No caso do Popeye, porém, a empresa encerrou o ano com 63 unidades, 11 a menos do que o projetado pelo banco.

Já as vendas digitais (delivery, totem e app) representaram 35% da receita consolidada, crescendo 23% na base anual, liderado pelas vendas por meio de totens, “o que ganha especial relevância quando se trata de aumento o conhecimento do cliente (41% das vendas já são cadastradas, e o plano de fidelidade da empresa tem 10,7 milhões usuários, ou 3x o valor de 2021)”, destacam analistas do BBA.

Para o JPMorgan, a ZAMP relatou um conjunto sólido de resultados do 4T22, ficando significativamente à frente das suas projeções, que continua a destacar a recuperação no nível operacional – em um ritmo ainda mais rápido do que o esperado.

No geral, o banco americano acredita que isso deve ser um gatilho positivo de curto para a ação, pois acreditam que o mercado estava olhando ansioso por uma execução sólida, resultados robustos e entrega de lucratividade para o trimestre como um ponto de partida para criar um impulso positivo em torno do nome.

Segundo Morgan Stanley, a recuperação observada deve continuar, embora sobre uma base de comparação mais forte. Bons resultados devem continuar sendo catalisadores positivos para ações e o banco reiterou recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 9. O BBA manteve classificação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 10.

SBF (SBFG3): um trimestre para ser esquecido

O Grupo SBF (SBFG3), dono da Centauro, registrou lucro líquido de R$ 140,7 milhões no quarto trimestre de 2022 (4T22), montante 51,2% inferior ao reportado no mesmo intervalo de 2021. “A queda do lucro é explicada pelo aumento de despesas operacionais, pelo aumento das despesas financeiras e por uma base de comparação no imposto de renda de 2021 beneficiada pelo reconhecimento de R$ 185,9 milhões de imposto de renda diferido extemporâneo que se encontrava fora do balanço”, explica a empresa.

A receita líquida somou R$ 1,983 bilhão no quarto trimestre deste ano, crescimento de 17,8% na comparação com igual etapa de 2021.

O Bradesco BBI apontou que o Grupo SBF relatou resultados muito decepcionantes no 4T22, com uma combinação incomum de 17,8% de crescimento na receita líquida e um declínio de 23,5% no Ebitda ajustado.

“Ao longo do tempo, reduzimos nossas expectativas e, portanto, a receita líquida correspondeu amplamente a nossa estimativa (Centauro apresentou crescimento de 8,5% e Fisia de 29,8% na comparação anual) – apesar de vê-la como um pouco branda dado a sazonalidade mais forte esperada para a Copa do Mundo – enquanto o lucro líquido veio menor do que as expectativas, já ajustadas para baixo, em 34%.”, apontaram os analistas.

Apesar de um resultado fraco já esperado (SBFG3 já acumula queda de 36% no ano até a sessão da véspera), o Bradesco BBI ainda esperava alguma reação negativa para as ações considerando as más indicações qualitativas do trimestre e os números ainda abaixo das expectativas.

“Isto pode continuar minando o sentimento sobre a tese de investimento, potencialmente adicionando mais pressão baixista sobre as estimativas do consenso (estamos agora reduzindo nossos números para os lucros de 2023 em 16% para R$ 249 milhões)”, aponta.

O BBI, com isso, cortou o preço-alvo da ação de R$ 15 para R$ 12, mas ainda manteve a recomendação de compra, por motivos de valuation.

“Reconhecemos que três trimestres consecutivos decepcionantes não indicam nada de bom para a dinâmica de curto prazo da companhia. Desta forma, o Grupo SBF se tornou uma tese na qual os investidores ‘não querem pagar para ver’. Assim, a consistência será fundamental para uma recuperação das ações, principalmente tendo em vista o cenário macroeconômico desafiador”, aponta.

Do lado positivo, o BBI ressalta que a SBF tem resultados positivos com relação ao lucro e espera-se que gere caixa em 2023, o que, em última instância, deverá proporcionar um piso para as ações.

A XP também destacou o resultado como fraco, mas manteve recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 16.

“As vendas líquidas do grupo cresceram 18% ao ano, com i) Centauro crescendo 8,5%, impulsionada pela expansão do canal físico e renovação de lojas, além de uma boa performance de vendas na Black Friday forte e de artigos relacionados à Copa do Mundo, mas com ventos contrários por competição, macro desafiador e canibalização de certas categorias frente às vendas relacionadas à Copa do Mundo; e ii) Fisia com crescimento de 30% ao ano, com destaque para o canal digital (+77%), dada a migração do atacado para o 3P e a forte performance do e-commerce”, destacaram os analistas.

Caixa Seguridade (CXSE3): receitas fracas com seguro de vida e pensão

A Caixa Seguridade (CXSE3) teve lucro recorrente de R$ 752,9 milhões no 4º trimestre de 2022, cifra 38% maior que a registrada um ano antes. O resultado ficou 5% acima das estimativas do UBS BB, que deu destaque positivo ao desempenho, apesar de receitas fracas com seguro de vida e pensão. Outro destaque da análise do UBS BB foi o payout de 92% em 2022. A Caixa Seguridade propõe pagar R$ 1,5 bilhão em dividendos. A proposta foi aprovada pelo conselho da empresa e será submetida à assembleia de acionistas no final de abril.

O UBS BB prevê crescimento de 14% anual no lucro por ação da Caixa Seguridade em 2023. O avanço deve ser apoiado por menores índices de sinistralidade, resultados financeiros mais altos e o impacto de uma reestruturação societário ao longo do ano. A casa tem recomendação de compra para ação, com preço-alvo de R$ 11. Para o Morgan Stanley, a Caixa Seguridade reportou resultados mistos.

No lado positivo, destacou a receita com investimentos em participações de R$ 573 milhões, que veio 18% acima das estimativas do banco.  O destaque negativo, por outro lado, foi a receita com corretagem, de R$ 417 milhões, 20% abaixo do previsto pelo Morgan.

Após a divulgação do resultado, o Morgan Stanley reiterou a avaliação overweight sobre os papéis da companhia, com preço-alvo de R$ 12. Na avaliação do banco, a Caixa Seguridade tem tido uma atuação atraente em conseguir adentrar o segmento de seguros e hipotecas no Brasil, com uma oportunidade única de cross-sell entre produtos de seguro e pensão oferecidos aos clientes da Caixa.

O Bradesco BBI, por sua vez, viu os resultados como negativos, já que o principal negócio da empresa sofreu uma desaceleração relevante. Os prêmios de seguro da empresa recuaram 1,2%, para R$ 2,008 bilhões. A casa tem avaliação neutra para os papéis da Caixa Seguridade e preço-alvo de R$ 9. “Não vemos potencial para mudar avaliação sobre as ações enquanto riscos de ganhos permanecerem com viés de baixa”, escreveram os analistas.

GPS (GGPS3) : números positivos 

O Grupo GPS (GGPS3) registrou lucro líquido de R$ 203 milhões no quarto trimestre de 2022 (4T22), montante 42% superior ao reportado no mesmo intervalo de 2021.

O Itaú BBA avaliou o resultado como positivo, e disse que a empresa mais uma vez trouxe boas surpresas. Para o casa, o destaque foi a margem Ebitda de 11,99% no período, maior que a de 11,5% reportada no terceiro trimestre. O BBA chama atenção para o fato que houve crescimento de margem mesmo com integrações de fusões e aquisições relevantes nos trimestres passados, o que costuma pressionar a rentabilidade.

“Atribuímos a melhora das margens  aos esforços contínuos de GPS em aumentar a rentabilidade de seus contratos e acelerar a captura de sinergias de suas aquisições”, escreveram os analistas do BBA.  Para eles, o sólido histórico da companhia desde o IPO continua a sustentar uma visão construtiva sobre o nome. O BBA tem preço alvo de R$ 24,50 para o papel GGPS3, com avaliação outperform.

O Morgan Stanley também destacou a sustentabilidade do crescimento orgânico do grupo GPS no período. E avalia que o balanço sólido tende a servir de apoio para a expansão da empresa. “GPS está entregando seu plano de fusões e aquisições e deve continuar consolidando o mercado no Brasil, trazendo boas notícias em meio a um cenário macroeconômico fraco”, escreveram os analistas.

“Ainda assim, acreditamos que o valuation já reflete esse modelo de negócio resiliente e de perspectiva de crescimento forte, em linha com seus pares globais”. Assim, o Morgan Stanley manteve avaliação equalweight (equivalente à neutra) para os papéis de GPS, com preço-alvo de R$ 16.

PagSeguro (PAGS34): custos controlados

A PagSeguro (PAGS34) reportou lucro líquido ajustado de R$ 411 milhões no quarto trimestre de 2022 (4T22), um crescimento de 23% sobre o mesmo período de 2021. O lucro por ação (EPS, na sigla em inglês) foi de R$ 1,24 no 4T22, um avanço de 36% sobre o mesmo trimestre de 2021.

O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) somou R$ 788 milhões, alta de 29% na comparação com igual etapa de 2021.

Na avaliação do Itaú BBA, o resultado foi positivo, com lucro 16% acima da sua expectativa.

Já as receitas caíram 2% no trimestre, como esperado pela casa, já que os rendimentos mais baixos compensaram os melhores volumes. Os custos operacionais controlados também ajudaram a aumentar o resultado final em 7% no trimestre e 35% no ano.

Além disso, o PagBank também teve melhor desempenho. “No geral, foi um trimestre bem conduzido que deve reduzir o risco da companhia, reconhecemos o ambiente macro mais desafiador para volumes, mas continuamos a ver forte execução e gestão financeira do PagSeguro”, avalia. O Itaú BBA tem recomendação outperform para as ações, que estão sendo negociadas a um valuation atraente de 9 vezes o preço sobre o lucro esperado para 2023.

Para o Credit Suisse, a PagSeguro reportou resultados neutros, com a receita 2% abaixo da projeção do banco devido a um take rate mais baixo.

” A empresa não deu guidance para 2023, mas pela mensagem do call do resultados, a PagSeguro espera que o lucro nominal melhore ao longo do ano”, aponta o banco.

Alupar: resultados em linha, dividendos acima

A Alupar (ALUP11), empresa de transmissão e geração de energia, reportou lucro líquido regulatório de R$ 159,5 milhões no quarto trimestre de 2022, com alta de 11% em relação a igual período do exercício anterior.

Na avaliação da XP, os resultados da Alupar no 4T22 ficaram em linha com as estimativas da casa, refletindo a entrada em operação da ESTE e TSM, e os ajustes da RAP ciclo 2022/2023. Além disso, Maíra Maldonado, analista da XP, espera que a empresa continue seu processo de desalavancagem, o que pode levar a distribuições de dividendos mais robustas. A XP mantém recomendação de compra em ALUP11, com preço-alvo de R$ 30 de ação.

O Itaú BBA apontou que o Ebitda recorrente do 4T22 da Alupar ficou abaixo das suas expectativas, com custos acima do esperado de ambos os negócios.

“Ainda assim, apresentou crescimento de 16% na base de comparação anual, impulsionado pelo início da operação dos ativos e reajustes das receitas de transmissão. Além disso, a empresa anunciou dividendos relativos a 2022, pendentes de aprovação, no valor de R$ 422 milhões, o que corresponde a um  dividend yield de 5% (acima da nossa estimativa de 3% e superior ao patamar observado em anos anteriores)”, aponta.

O Credit Suisse apontou que os resultados regulatórios da Alupar foram mais fracos do que as suas projeções (e ligeiramente piores do que o consenso, mas bons em uma base anual), devido a receitas abaixo do estimado no segmento de geração (impulsionadas por volumes menores vendidos), devido a provável atividade de trading fraca, e maiores despesas operacionais em nível consolidado.

Os resultados foram beneficiados em uma base anual pelo ajuste da inflação das receitas reguladas anuais, entrada da operação comercial da nova transmissora e menores custos de energia.