Zamp: por que a injeção de capital era a peça que faltava na estratégia para ZAMP3

A aceleração de inaugurações de lojas, reformas de lojas, aquisição de lojas Starbucks e a busca por novos caminhos decrescimento não correspondiam ao atual potencial de geração de caixa e alavancagem da empresa, ressalta o BBI

Lara Rizério

Burger King/Zamp (Foto: Reuters)
Burger King/Zamp (Foto: Reuters)

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No apagar das luzes da última semana, a Zamp (ZAMP3), dona do BK Brasil, anunciou um aumento de capital social, com o valor mínimo de R$ 268,9 milhões. Esse aumento será realizado por meio da emissão privada de ações, com um limite máximo de R$ 450 milhões. O preço de emissão das novas ações será de R$ 3,42 por ação, com base na média dos últimos 90 dias. Os acionistas da empresa votarão a proposta na assembleia geral marcada para o dia 26 de julho. Além disso, o atual acionista controlador, Mubadala, já confirmou sua intenção de exercer integralmente seus direitos de subscrição.

A administração da Zamp também detalhou a utilização dos recursos provenientes desse aumento de capital i) Crescimento orgânico: o capital será implementado para abrir novas lojas BK e reformar as áreas existentes do BK. 2. Crescimento inorgânico: Parte dos recursos será destinada à estratégia de crescimento inorgânico, como possíveis aquisições, incluindo a marca Starbucks e 3. Otimização da estrutura de capital e desalavancagem.

As ações caíram forte, fechando com baixa de 8,70% (R$ 3,57) nesta segunda-feira (8), mas os analistas veem que o anúncio é a “peça que faltava no quebra cabeça”.

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O Bradesco BBI, ao fazer um breve resumo dos últimos doze meses, destacou que, desde agosto do ano passado, a Mudabala aumentou sua participação para 17%, o que acabou tirando a Zamp do Novo Mercado e alterou a composição do Conselho. Em 2024, a Mubadala começou a colocar em prática sua visão sobre a empresa, o que culminou com a aquisição dos direitos da marca Starbucks no Brasil e uma reformulação da alta administração, com o anúncio de Paulo Camargo como CEO, um experiente executivo do setor de restaurantes de serviço rápido (QSR), com experiência como CEO da Arcos Dorados Brazil e membro do Conselho do IMC.

Recentemente, em 1º de julho, a Zamp confirmou negociações com a Southrock Brasil para adquirir os direitos de operação da marca Subway no Brasil, embora ainda não tenha confirmado negociações avançadas.

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Assim, avalia o BBI, o anúncio do aumento de capital era uma peça que faltava no novo quebra-cabeça estratégico. A aceleração de inaugurações de lojas, reformas de lojas, aquisição de lojas Starbucks e a busca por novos caminhos decrescimento não correspondiam ao atual potencial de geração de caixa e alavancagem da empresa.

O banco estima (excluindo Starbucks) um fluxo de caixa livre (FCF) negativo de R$ 110 milhões em 2024 e uma dívida líquida aumentando para quase R$ 1 bilhão até o final de 2024, o que representaria aproximadamente 3,0 vezes a relação dívida líquida e o Ebitda (ou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações).

O Mubadala demonstrou compromisso em investir no aumento de capital, o que provavelmente indica que o fundo soberano de Abu Dhabi poderia aumentar sua participação de aproximadamente 60% hoje para aproximadamente 73%.

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“A necessidade de injeção de capital reforça que a Zamp deverá sofrer no curto prazo em meio à integração da Starbucks, mas mantemos nosso tom positivo sobre a nova visão de longo prazo para a empresa como uma casa de marcas semelhante à Alsea no México, que negocia a 14,6 vezes o múltiplo P/L [preço sobre o lucro] esperado para 2024. No entanto, preferimos esperar até termos mais visibilidade dos acionistas controladores sobre as metas de expansão inorgânica e maior certeza sobre nossas premissas de resultado para 2024-25”, avalia o BBI, mantendo recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 3,50.

Já o Goldman Sachs vê este aumento de capital como um passo para consolidar a estratégia contínua da Zamp de criar uma “house of brands” (casa de marcas) de empresas fast food no Brasil. Com um cronograma acelerado de aquisições (ou seja, a anunciada aquisição da Starbucks Brasil por R$ 120 milhões; negociações em andamento com relação ao Subway), a maior parte do capital de R$ 269 milhões a R$ 450 milhões a ser levantado estará disponível para financiar o crescimento inorgânico, à medida que continua vendo a principal bandeira do Burger King no Brasil perdendo força para o McDonald’s (o banco ainda reitera relativa preferência pela Arcos Dorados, operadora do Mc no Brasil, com classificação de compra).

O Goldman tem recomendação de venda para ZAMP3, com preço-alvo de R$ 4,10, um potencial de alta de 4,9% frente o fechamento de sexta. “Os principais riscos ascendentes para a nossa visão de investimento incluem: 1) outras alterações na estrutura de participação; 2) precificação assertiva e execução comercial; 3) aceleração do crescimento e a mobilização de capital e 4) condições macroeconômicas melhores que as esperadas no Brasil.

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O Itaú BBA, por sua vez, reiterou recomendação equivalente a compra (outperform, desempenho acima da média do mercado) para ZAMP3, mas reduziu o preço-alvo para os papéis de R$ 7 para R$ 6.

“Estamos atualizando nossa tese de investimento na Zamp acompanhando os resultados do 1T24. Embora estejamos reduzindo significativamente nossas estimativas para 2024 e 2025 em termos de Ebitda, mantemos nossa recomendação”, reforça.

O BBA tem algumas questões sobre a estratégia para a marca Starbucks recentemente adquirida e sobrequão sustentável será a atividade promocional na plataforma central BK. “Dito isto, o nosso recente exercício mostra que, ao preço de mercado atual, quando se leva em conta o investimento necessário para duplicar as atuais lojas corporativas da empresa, a avaliação parece barata”, destacam os analistas.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.