Oferta de aquisição

Dona do Burger King Brasil (BKBR3) recebe proposta do Mubadala e ação salta 18,8%, mas operação vai prosperar?

Mubadala Capital visa adquirir 45,15% das ações de emissão da companhia, ao preço de R$ 7,55 por ação, mas analistas ainda veem preço baixo

Por  Felipe Moreira, Lara Rizério -

A operadora brasileira de rede de fast food Zamp (BKBR3), antiga BK Brasil, informou nesta segunda-feira (1) que recebeu proposta de aquisição de controle por um veículo do investidor estatal dos Emirados Árabes Unidos Mubadala.

A Mubadala Capital lançou a oferta pública aquisição (OPA) visando a aquisição de 45,15% das ações de emissão da companhia, ao preço de R$ 7,55 por ação, de forma que, caso haja sucesso da OPA, a Mubadala Capital passará a deter 50,10% do capital social.

O preço oferecido representa um prêmio de 21,4% em relação ao preço de fechamento de sexta-feira de R$ 6,22. Com isso, os ativos BKBR3 subiram 18,81% nesta segunda-feira, a R$ 7,39.

Atmos Capital, Vinci Partners e Morgan Stanley estão entre os principais acionistas da Zamp atualmente.

Segundo carta enviada ao Conselho, o fundo avalia que empresa tem alto potencial de crescimento e geração de valor para seus acionistas, bem como reconhece o excelente trabalho que vem sendo realizado pela administração da companhia, especialmente frente às recentes condições econômicas e de mercado desafiadoras.

O Conselho de Administração da Zamp está avaliando a OPA e divulgará um parecer prévio em até 15 dias.

Por fim, a companhia diz que manterá seus acionistas e o mercado informados sobre os desdobramentos deste assunto.

Oferta baixa?

Para o Morgan Stanley, a oferta foi surpreendentemente baixa, num momento em que BKBR3 está sendo negociada perto de um nível histórico baixo, “um preço que, em nossa opinião, não se justifica devido a sua forte entrega operacional e claras tendências de recuperação pós-covid”.

O preço oferecido implica em um múltiplo de 5,1 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, na sigla em inglês) esperado para 2023, que está em linha com os múltiplos atuais dos pares da América Latina, mas ainda com um grande desconto em relação aos múltiplos históricos e à média dos pares globais de mais de 10 vezes.

Também implica  em um múltiplo de 12,2 vezes o preço sobre o lucro esperado para 2023, novamente com um desconto significativo em relação à média dos pares globais de 20 vezes.

“Não desconsideramos o potencial de novos aumentos de preços. A oferta da Mubadala especifica que o preço ofertado não será alterado (seria adaptado no caso de pagamento de dividendos ou aumento de capital) e agora a diretoria da BK Brasil está avaliando a proposta e divulgará um parecer nos próximos 15 dias. Esperaríamos uma oposição à oferta, o que poderia eventualmente abrir a porta para novas ofertas na mesa”, avaliam os analistas do Morgan.

A ação BKBR3 é a top pick do setor para o Morgan, destacando o valuation descontado do papel.

Para o Credit Suisse, o preço oferecido não necessariamente se alinha com a demanda dos acionistas minoritários.

“No geral, acreditamos que o negócio tem poucas chances de ser concretizado considerando as condições atuais. No entanto, não descartamos que acionistas minoritários se reúnam para discutir e negociar melhores termos com Mubadala. Assim, as ações estão subindo forte no pregão de hoje”, apontam os analistas do banco suíço.

Os analistas têm recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para as ações do BK com preço-alvo de R$ 9,50 (potencial de alta de 53%) avaliando que, em meio a um ambiente de alta inflação e frágil concorrência, a companhia tem sido capaz de nadar contra a maré dentro do setor de food service, com resultados operacionais sólidos impulsionados por maior alavancagem e eficiência operacional, além de ganhos contínuos de participação de mercado.

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