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SÃO PAULO – As questões macroeconômicas têm elevado sua influência sobre a performance dos mercados internacionais nos últimos meses. Entre indícios de recuperação nos Estados Unidos, indefinição sobre a crise fiscal na Europa e tentativas dos emergentes em diminuir seu ritmo de crescimento e evitar uma maior desvalorização do dólar, as bolsas passaram longe de um rali de final de ano e iniciaram 2011 refletindo uma série de dúvidas que ainda permeiam as mentes dos investidores.
De olho neste cenário, a equipe do Bank of America Merrill Lynch, liderada pelo analista Michael Hartnett, traçou um raio-x dos principais aspectos macro que deverão mexer com o ânimo dos investidores ao longo dos próximos meses. Entre eles, destacam-se a eficiência de um possível resgate aos países periféricos do Velho Continente e os impactos negativos da crescente inflação nos países emergentes. “Permanecemos ‘bulls’ (otimistas) para 2011”, disse o banco.
Alta nos yields, queda nas ações?
Quando os yields dos Treasuries (títulos da dívida pública norte-americana) demonstram avanço, não necessariamente isso representa que os mercados acionários terão uma baixa. Mas, quando essa alta é expressiva, isso pode acabar gerando um sell-off dos ativos de maior risco. Na última década, um avanço de 60 a 100 pontos-base nos Treasuries com vencimento em 10 anos – principal referencial aos investidores – refletiu em média em um declínio de 6,5% no mercado global de ações e em um beta 8,5% maior nos mercados emergentes, destacou o BofA.
“Em contrapartida, o pulo de 100 pontos-base nos yields não causou um sell-off. Foi um bom aumento nas taxas, impulsionado pelas maiores expectativas de crescimento e não pela cautela com insolvência ou credibilidade”, avaliou o banco. Ainda assim, Hartnett acredita que se o yield das notas de 10 anos subir rapidamente para 4,25%, ao passo que as notas com vencimento em 30 anos passarem a ter um yield de 5,25%, então isso sim representaria um trigger para a venda de ativos de risco.
Esta análise toma como base alguns fatores, entre eles está o fato de o spread médio entre o yield dos Treasuries de longo prazo e o dividend yield do S&P 500 ser historicamente de 250 pontos-base desde 1950. “Com o dividend yield atualmente em 1,8%, se o yield de 10 anos subir para 4,25%, os Treasuries estarão atrativos em relação ao histórico”.
“O impacto dos yields nas ações vai depender da velocidade de seu avanço. Um aumento muito repentino nos yields deverá prejudicar a atividade econômica através do mercado imobiliário e mais problematicamente causar um ‘evento financeiro’, além de forçar a venda de outros ativos. Em contrapartida, uma alta em ritmo devagar nos yields será positivo para as ações em 2011”, disse o BofA.
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Países periféricos da Europa vão se recuperar?
De acordo com os analistas do BofA, as economias periféricas da Europa irão se recuperar. Isso porque as autoridades de política monetária da Zona do Euro, segundo o banco, estão começando a encarar a situação da crise fiscal na região como algo mais grave do que se imaginava. “Os mercados param de estar em pânico quando as autoridades monetárias começam a entrar em pânico”, disseram os analistas.
Para o BofA, com dados positivos vindos dos programas de estímulo à economia europeia, tais como aqueles que seguem a mesma linha do Quantitative Easing e do Tarp (Trouble Asset Relief Program), nos Estados Unidos, a recente emissão de bônus na região indica a coordenação de políticas entre os governos do Velho Continente.
Cabe lembrar que recentemente Portugal, Espanha e Itália – todos membros do bloco conhecido como PIIGS, somados de Irlanda e Grécia – promoveram leilões de títulos públicos que surpreenderam o mercado, com uma demanda acima do esperado. As três economias estão entre aquelas que apresentam a maior relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto) da Europa e são apontadas como próximos países a serem resgatados pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e pela UE (União Europeia).
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Apesar disso, Michala Marcussen e James Nixon, do Société Générale, traçaram uma perspectiva pessimista para a União Europeia neste e nos próximos anos. Para eles, a visão apontada como a mais provável revela uma ajuda internacional para Portugal e Espanha.
Inflação em alta nos emergentes é um driver negativo?
Ao contrário dos Estados Unidos, por aqui e em quase todos as grandes economias emergentes a principal preocupação é com o contínuo aumento dos preços. Na análise do BofA, este fator já é um driver negativo para o movimento das ações nestes mercados. De acordo com a equipe de Hartnett, desde outubro último os papéis dos países emergentes tem performado abaixo de seus pares nas economias desenvolvidas, apesar das taxas serem pouco expressivas.
“A boa notícia é que desde que a inflação subiu no último ano ela permanece em queda frente aos dados históricos e, mesmo em países com ‘problemas’ de inflação, o CPI (Índice de Preços ao Consumidor, na sigla em inglês) está atualmente bem menor do que os níveis vistos em 2008”, destacou o BofA.
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O banco mencionou ainda que o “bom comportamento das dívidas” dos emergentes é outro vetor positivo. “Hoje, uma vez que as ações estão em trajetória de alta, os spreads das dívidas permanecem apertados e nós projetamos que haja uma maior compressão dos spreads ao longo de 2011”, disseram os analistas.