Yield sobre dívida grega tem forte alta com boatos sobre congelamento de salários

Remuneração de bônus de 10 anos de Espanha e Itália recua antes de reunião entre Angela Merkel e Nicolas Sarkozy

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SÃO PAULO – O rendimento dos títulos públicos de dez anos da Grécia disparam no mercado secundário nesta segunda-feira (9), seguindo especulações de que o país precise congelar os salários do setor público para garantir novos empréstimos por parte de seus credores internacionais.

Segundo o jornal grego “Ta Nea”, a Troika – entidade internacional formada União Europeia, FMI (Fundo Monetário Internacional) e o BCE (Banco Central Europeu) – definiu um congelamento do aumento de salários no setor público grego, durante três anos, como condição para o novo acordo de empréstimo no âmbito do segundo pacote de resgate a Atenas.

Os credores também estão considerando a redução dos bônus de Natal e da Páscoa, bem como um corte de até 30% do salário mínimo, acrescenta a publicação. Na semana passada, o primeiro-ministro interino da Grécia, Lucas Papademos, já havia anunciado a intenção de diminuir o salário mínimo no país, bem como rever os 13º e 14º salários, seguindo o pedido da Troika.

Sentido inverso
Do lado contrário, o rendimento dos títulos públicos de dez anos da Itália e da Espanha recuam enquanto investidores aguardam o resultado do encontro entre a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em Berlim.

Os dois líderes europeus têm intenção de discutir detalhes do novo pacto fiscal firmado entre os 17 membros do bloco da moeda única em dezembro passado. Os planos para acelerar o uso do fundo de resgate permanente, o ESM (Mecanismo Europeu de Estabilidade, na sigla em inglês) para meados de 2012, assim como o aumento do seu poder de fogo, também devem estar na pauta.

Venda de dívida
No mercado primário de dívida, o Tesouro da Alemanha vendeu € 3,9 bilhões de títulos públicos para seis meses, com yield de -0,0122%, no primeiro leilão com um rendimento negativo. Dados do banco central alemão, o Bundesbank, mostram que a demanda pelos papéis superou a oferta em 1,8 vez, em comparação com 3,8 vezes da operação realizada em dezembro.

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Já o governo francês pretende colocar € 7,7 bilhões de títulos da dívida com vencimento entre 91 e 364 dias. No entanto, a atenção dos investidores está guardada para os primeiros leilões que Itália e Espanha pretendem fazer em 2012, o que só deve ocorrer a partir de quinta-feira.

Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, sendo que a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.

Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.

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Confira o desempenho dos títulos públicos na Zona do Euro:

País Rendimento Variação Spread vs. Bund*
Grécia 35,32% +0,39 p.p. +33,45
Portugal 13,35% +0,11 p.p. +11,48
Itália 7,09% -0,04 p.p. +5,22
Espanha 5,62% -0,09 p.p. +3,75
França 3,32% -0,05 p.p. +1,45
Alemanha 1,87% +0,02 p.p. –

* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg