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Rodolfo Margato, economista da XP, participou do programa Morning Call da XP nesta quinta (10) e comentou sobre a tarifa de importação de 50% de produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Em outros países, com aumento de tarifas, houve um choque forte no primeiro momento, depois uma visão de escalada, posteriormente algum relaxamento e negociações em curso”, comentou.
“Não dá para tomar valor de face de 50% (de tarifa) ao longo desse segundo semestre e em 2026”, avaliou. Para ele, é possível que se chegue a uma tarifa média mais baixa nessa relação comercial, a partir do que se viu nas negociações dos Estados Unidos com seus outros parceiros comerciais pelo mundo.
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Já com relação à inflação no país, Rodolfo Margato vê no primeiro momento efeito mais limitado.
“O impacto líquido não é de ajuda na inflação. Pode-se ter impacto baixista na atividade econômica, no PIB, algum excedente exportável para alguns produtos gerando pressão de baixa na inflação, mas acreditamos que o impacto do outro lado, com depreciação do câmbio, ampliação de incertezas e uma provável retaliação do governo brasileiro podem proporcionar choque inflacionário”, avaliou.
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O economista vê o impacto macroeconômico no País com tarifa de importação de 50% de produtos brasileiros para os EUA como “algo muito significativo”. “Ninguém tinha essa magnitude”, disse.
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, com uma pauta relativamente concentrada, explicou Margato. Ele acha que produtos como petróleo bruto, ferro, aço e carnes podem ser direcionados para outros mercados, mas equipamentos de transporte, como aeronaves, já é bem mais complexo.
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