XP revisa recomendações para bens de capital após balanços; veja ações preferidas

Analistas rebaixam Randoncorp para neutro e elegem Embraer e Marcopolo como favoritas em meio a incertezas sobre a Selic e tensões no exterior

Victória Anhesini

Ativos mencionados na matéria

Foto: divulgação | Marcopolo
Foto: divulgação | Marcopolo

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A XP Investimentos publicou um novo relatório nesta quinta-feira (26), mudando a visão para o setor de bens de capital após uma temporada de resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) marcada por um viés negativo e revisões de estimativas para baixo. 

Segundo o documento, o cenário atual ficou mais instável devido ao aumento das tensões geopolíticas, o que adiciona um nível de volatilidade aos preços de combustíveis, assim como eleva os riscos inflacionários. Os analistas afirmam que essa dinâmica torna a trajetória de cortes da taxa Selic no Brasil menos previsível do que o esperado anteriormente.

Nesse cenário de maior risco, a preferência da XP recai sobre ativos que possuam fundamentos individuais sólidos, proteção contra oscilações do dólar e balanços patrimoniais robustos.

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Favoritas

Enquanto o setor em geral enfrenta dificuldades, estas duas companhias conseguiram entregar resultados consistentes e perspectivas favoráveis. O relatório da XP indica que Marcopolo (POMO4) e Embraer (EMBJ3) são os nomes preferidos no setor. 

Segundo os analistas, a Embraer divulgou resultados consistentes, superando as estimativas de faturamento e também mostrou uma forte geração de caixa para o período. Apesar de uma estimativa mais conservadora de 2026 por parte da XP, a expectativa é que os números finais estejam mais próximos do topo dessa faixa de projeções, “dinâmica que incorporamos e discutimos em nosso recente upgrade para Compra”, pontuam os analistas.

Já sobre a Marcopolo, a XP destaca que a companhia recebeu uma atenção positiva durante a temporada de balanços, especificamente entre outras empresas de autopeças. Os resultados do 4T25 foram robustos, com margens sólidas apoiadas por melhora do mix de produtos. 

Na perspectiva da XP, há um espaço limitado para revisões nos próximos meses. “Mas destacamos uma estimativa para o primeiro trimestre de 2026 (1T26E) ainda sazonalmente fraco, com a gerência sinalizando uma recuperação gradual de volumes a partir do segundo trimestre, especialmente liderada pelo segmento urbano, enquanto a retomada do programa Caminho da Escola permanece como um tema a ser monitorado”, diz o relatório.

Revisões negativas

Os analistas da XP afirmam que o ambiente para componentes automotivos e veículos de grande porte continua muito impactado pela retração no consumo da América do Norte. 

Foi decorrente desse diagnóstico que os analistas optaram por rebaixar as ações da Randoncorp (RAPT4) para uma posição neutra. A Frasle (FRAS3) também deve sentir o baque do cenário atual, o que levou a XP a incorporar uma visão mais cautelosa para ambas empresas. 

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“Seguimos vendo uma demanda fraca sustentando um cenário desafiador à frente, enquanto os resultados da Frasle levantam preocupações quanto ao crescimento orgânico”, detalha o relatório.

Outros nomes também seguem sob forte pressão, como a Tupy (TUPY3) e a Iochpe-Maxion (MYPK3), que sofrem com a baixa demanda externa por veículos pesados. 

Os analistas explicam que a Tupy, especificamente, apresenta baixa previsibilidade e uma tendência de endividamento que ainda não atingiu seu teto. No segmento do agronegócio, a Kepler Weber (KEPL3) reportou resultados neutros que refletem o desaquecimento do setor, uma condição que a XP acredita que vai persistir ao longo de todo o ano de 2026.

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Equilíbrio operacional na WEG

O desempenho da WEG (WEGE3) foi classificado como neutro, com o faturamento sofrendo o impacto negativo das variações cambiais e de uma integração mais lenta de ativos recentemente adquiridos. 

Porém, conforme o relatório da XP, a companhia compensou esses fatores externos por meio de uma produtividade interna superior e eficiência na gestão de custos. 

“As margens foram uma surpresa positiva, apoiadas por ganhos de eficiência e mix favorável. Embora o crescimento orgânico no curto prazo permaneça limitado, estamos cada vez mais confiantes na aceleração do crescimento da WEG no médio prazo”, diz o documento. 

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Os analistas ressaltam que a rentabilidade surpreendeu positivamente o mercado, mesmo com a desaceleração observada no setor de energia doméstico, mantendo a confiança na aceleração dos resultados em um horizonte de médio prazo.