XP: escalada do frete deve representar risco direto sobre custos no varejo brasileiro

Indiretamente, alta nos preços pode prolongar ciclo de juros elevados no país

Erick Souza

Ativos mencionados na matéria

(Divulgação/FreteBras)
(Divulgação/FreteBras)

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O andamento dos conflitos no Oriente Médio tem provocado forte impacto sobre a oferta global de petróleo e seus produtos relacionados, como os combustíveis. Com a crise no Estreito de Ormuz, a oferta ficou ainda mais restrita e algumas empresas globais já passaram a incorporar custos mais altos em seus preços.

De acordo com a XP Investimentos, com o aumento dos preços do diesel aqui no Brasil elevando os custos de frete e logística, o varejo pode sofrer uma forte pressão sobre os valores. Conforme as estimativas dos analistas, os impactos ainda não estão sendo vistos, mas o movimento deve se iniciar a partir do segundo trimestre deste ano.

A expectativa é de que custos mais altos de logística e distribuição passem a operar, mesmo com o conflito em ritmo de desaceleração. Para a casa, o varejo terá que lidar com algumas camadas de exposição. Em primeiro lugar, os fretes diretos da distribuição de mercadorias pelas redes dos varejistas.

Ainda que o repasse dos preços globais tenha sido parcialmente mitigado por subsídios do governo, os preços do diesel nas bombas brasileiras subiram cerca de 24% desde o início do conflito com o Irã até o fim de março.

Para varejistas como Mercado Livre (MELI34), Magazine Luiza (MGLU3) e Casas Bahia (BHIA3), os analistas preveem pressão sobre os custos de last-mile (etapa final da logística de distribuição, onde o produto sai do centro de distribuição e é entregue ao consumidor final) e de fulfillment (serviço de logística completo para o e-commerce). De acordo com os especialistas, as empresas são as mais expostas por oferecerem serviços logísticos aos vendedores.

A Alpargatas (ALPA4) e a Vulcabras (VULC3) também devem sofrer impactos com os custos de insumos químicos, por estarem expostas às matérias-primas derivadas do petróleo. Um efeito indireto sobre a inflação dos alimentos pode, ainda, impactar os bens importados.

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Efeitos indiretos

Conforme a XP, o efeito indireto mais crítico esperado é, justamente, a inflação mais alta. Com os preços subindo, os analistas temem pelo ciclo de cortes de juros, o que pode pressionar ainda mais o poder de compra do consumidor. Apesar disso, os economistas calculam que a alta dos preços de prata e ouro pode acabar sendo atenuada.