Corte de projeção

XP corta projeção do Ibovespa para 130 mil pontos ao final de 2021, com “perspectivas desafiadoras”

Projeção anterior era de 135 mil pontos; corte é o segundo em pouco mais de um mês e reflete riscos locais e globais

Por  Mitchel Diniz

SÃO PAULO – Setembro foi um marco negativo em 2021 para o Ibovespa, que perdeu cerca de 10 mil pontos no período e teve o pior desempenho em 18 meses. “O mês de setembro é historicamente conhecido como um mês ruim para os mercados e 2021 não fugiu à regra”, lembra relatório da XP, assinado por Fernando Ferreira, estrategista-chefe, Jennie Li, estrategista de ações, e Marcella Ungaretti, analista ESG.

Com a deterioração dos preços das commodities no período e o aumento das taxas de juros, a XP revisou o preço-alvo do principal índice de referência da Bolsa para 2021, de 135 mil para 130 mil.

“Estamos atualizando o preço-alvo do Ibovespa para 130 mil para o final do ano, levando em consideração o contínuo aumento do custo de capital (taxas de juro de longo prazo) e uma queda leve nas projeções de lucros”, diz o relatório.

Porém, os analistas ressaltam que a análise continua mostrando uma relação de risco e retorno bastante favorável nos preços atuais para as ações brasileiras. No início do mês passado, a XP já havia cortado a projeção para o Ibovespa, de 145 mil para 135 mil pontos, levando em consideração riscos globais e locais.

No novo relatório, os analistas citam outros eventos recentes: projeções de crescimento menores para 2022, inflação alta, crise hídrica e eleições se aproximando. Além disso, as bolsas também foram penalizadas em setembro por incertezas com a Evergrande, gigante chinesa do setor imobiliário que enfrenta graves problemas financeiros e cuja falência poderia contaminar os mercados. A China também passa por uma crise energética que ameaça o seu crescimento e derrubou o preço do minério-de-ferro, o que impacta diretamente ações brasileiras.

Para completar o cenário de incertezas, os Estados Unidos, com sinais de que medidas de estímulo à economia e juros historicamente baixos estão próximos do fim. “Esse cenário de quase uma ‘tempestade perfeita’, que impactou e impacta o mercado brasileiro, requer estar atento às oportunidades que aparecem, mas também cautela com relação ao cenário mais conturbado adiante”, diz o relatório da XP.

Tempestade perfeita

De acordo com os analistas, as perspectivas se tornaram mais desafiadoras nos últimos meses e para os próximos o investidor deve lidar com: inflação mais alta e taxas de juros mais altas; crise hídrica continuando a preocupar; incertezas quanto à trajetória fiscal; elevadas tensões políticas, à medida que as eleições de 2022 se aproximam; além do crescimento econômico menor, já que o PIB de 2022 foi revisado de 2,5%, no início desta ano, para 1,5%.

Apesar disso, a previsão é de que o quarto trimestre seja mais forte em retornos para o mercado financeiro. Porém, para que os negócios engatem, a XP acredita que é preciso haver uma redução de ruído na macroeconomia e política brasileiras e uma ajuda do exterior, que poderia prejudicar a retomada caso houvesse uma “correção mais acentuada” dos mercados globais.

Do ponto de vista micro, ou seja, das empresas, os analistas avaliam que as empresas brasileiras têm balanços sólidos, lucros em crescimento ao mesmo tempo em que conseguem repassar inflação mais alta para os preços e devolver valor aos acionistas. O relatório destaca empresas que dependem menos do ambiente macroeconômico e conseguem entregar crescimento apesar de um cenário desafiador.

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Na avaliação da XP, o Ibovespa pode ser considerado barato, mas o preço por lucro do índice aumenta quando as grandes empresas de commodities, Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3, PETR4), são retiradas do cálculo. Sem essas ações, o indicador, utilizado para avaliar o valor de mercado das companhias listadas, fica acima da média histórica dos últimos 15 anos. “Ou seja, o Ibovespa como um todo é barato, mas ao retirarmos as commodities, ele não está tão barato assim”, ressaltam os analistas.

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